Tempestades solares podem fazer todos satélites que orbitam a Terra colidirem

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A humanidade investiu enormemente em satélites, e não apenas em dinheiro. Embora os modelos mais caros possam custar perto de um bilhão de dólares, o maior investimento está na dependência criada em torno dessa tecnologia em órbita. Transmissões de televisão, sistemas de navegação, previsões do tempo, sincronização de horários e grande parte das transações financeiras dependem diretamente de satélites para funcionar.

Se todos os satélites da Terra deixassem de operar de forma repentina, sistemas internacionais de comunicação começariam a falhar, o transporte seria interrompido, relógios perderiam a sincronização e cadeias globais de suprimento entrariam em colapso.

Parece um enredo de filme-catástrofe, mas é um risco que poderia se concretizar com apenas uma grande tempestade solar ou uma falha grave de software, capaz de comprometer toda a infraestrutura orbital em menos de uma semana.

O número de satélites em órbita cresce de forma acelerada, sobretudo após a entrada das grandes constelações comerciais, como as lançadas pela SpaceX. Em janeiro de 2026, estima-se que cerca de 15 mil satélites estejam orbitando a Terra, sendo aproximadamente dois terços pertencentes à rede Starlink.

Com o espaço ao redor do planeta cada vez mais congestionado, esses equipamentos precisam realizar manobras frequentes para evitar colisões. A situação chegou a um ponto em que apenas uma empresa executa ajustes de trajetória a cada dois minutos.

Caso operadores percam o contato com seus satélites, seja por interferência solar ou por problemas técnicos, essas manobras deixam de ser possíveis. O resultado pode ser uma sequência em cadeia de choques, na qual a destruição de um satélite gera destroços que atingem outros, derrubando todo o sistema em questão de dias.

O risco de colisões em órbita é discutido por cientistas desde os primórdios da exploração espacial. Em 1978, o pesquisador da NASA Donald Kessler alertou para a possibilidade de que o acúmulo de satélites e detritos criasse uma espécie de cinturão de fragmentos ao redor da Terra, dificultando ou até impedindo o uso do espaço.

Esse cenário ficou conhecido como Síndrome de Kessler, uma situação em que uma única colisão desencadeia uma reação em cadeia praticamente incontrolável, tornando a órbita baixa inutilizável por longos períodos. Em termos simples, perder um satélite poderia significar perder todos.

Apesar dos alertas e dos modelos matemáticos que demonstravam o perigo, o lançamento de novos satélites continuou a crescer. Diante dessa nova realidade, pesquisadores desenvolveram ferramentas mais precisas para medir o risco atual. Um desses instrumentos estima quanto tempo levaria para ocorrer uma colisão catastrófica caso os satélites deixassem de realizar manobras evasivas.

Em 2026, essa estimativa indica um intervalo de apenas cinco dias e meio até um evento grave, um prazo extremamente curto para evitar um desastre em larga escala. Para efeito de comparação, em 2018, antes da expansão das megaconstelações, esse mesmo indicador apontava cerca de 164 dias, o que mostra o quanto o risco se intensificou em poucos anos.

Esse perigo não é apenas teórico. Tempestades solares já vêm interferindo em satélites em operação, aumentando a resistência atmosférica que eles enfrentam e alterando suas órbitas. Há registros históricos de eventos solares intensos capazes de causar falhas severas. Em 19 de maio de 1998, após um período de forte atividade solar, o satélite de comunicações Galaxy IV deixou de funcionar.

A falha derrubou entre 80% e 90% dos pagers em operação na América do Norte, dispositivos que na época eram essenciais, especialmente na área da saúde, onde médicos e enfermeiros dependiam deles para emergências. Emissoras de rádio e televisão também perderam seus sinais. Naquele momento, foi possível redirecionar serviços para outros satélites, em um ambiente orbital muito menos congestionado do que o atual.

Se um evento semelhante ocorresse hoje, a perda de um único satélite poderia desencadear colisões sucessivas com equipamentos vizinhos, provocando um colapso generalizado comparável a um castelo de cartas desmoronando no espaço.

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Fonte:Paraná Jornal