Passa a valer a partir das 1h01 desta quarta-feira (22), no horário de Brasília, a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros. A medida foi oficializada na última semana pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e faz parte de uma investigação iniciada após o anúncio do primeiro pacote tarifário, em julho de 2025.
Conforme a CNN, a cobrança foi estabelecida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, instrumento utilizado pelo governo dos Estados Unidos para investigar e adotar medidas contra práticas consideradas desleais no comércio internacional.
Mesmo após audiências públicas em que representantes da sociedade civil se posicionaram contra a iniciativa, o USTR apontou preocupações relacionadas às políticas brasileiras sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal. Segundo o órgão, esses fatores geram insegurança jurídica e prejudicam a competitividade das empresas norte-americanas.
As negociações entre os dois países enfrentaram dificuldades nas últimas semanas. Enquanto representantes do governo dos Estados Unidos demonstraram insatisfação com o andamento das tratativas, negociadores brasileiros classificaram as exigências apresentadas como desfavoráveis para setores da indústria e do agronegócio.
Em resposta à medida, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão representa um momento negativo nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O Palácio do Planalto também indicou a possibilidade de utilizar mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica.
Apesar disso, integrantes do governo brasileiro reforçaram que a prioridade é manter o diálogo com as autoridades norte-americanas e ampliar a articulação com o setor produtivo para reduzir os impactos da nova tarifa. Entre as estratégias em estudo estão a abertura de novos mercados para os produtos afetados e a adoção de medidas técnicas de apoio aos exportadores.
O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defenderam a continuidade das negociações e descartaram, neste momento, uma postura de retaliação direta. Segundo eles, o objetivo é buscar alternativas para minimizar os prejuízos econômicos e preservar a relação comercial entre os dois países.
O governo federal também solicitou estudos para avaliar os impactos da nova política tarifária e adotar medidas que evitem consequências mais severas para a economia brasileira e para os consumidores. Enquanto isso, empresários e especialistas acompanham com cautela os desdobramentos das negociações entre Brasília e Washington.
Fonte:A Rede PG