O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira, 14, a continuidade das investigações na sexta fase da Operação Compliance Zero. A decisão aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria realizado um pagamento em forma de "bônus de final de ano" a membros de um grupo conhecido como "A Turma", que, segundo a Polícia Federal (PF), é responsável por ações de ameaças e intimidações.
No documento da investigação, a polícia destaca que o pagamento mencionado é compatível com o que Vorcaro teria destinado a "A Turma". A estrutura associada a Vorcaro é dividida em dois núcleos: o primeiro, chamado "A Turma", atua em ações presenciais de coerção e obtenção clandestina de informações, enquanto o segundo, denominado "Os Meninos", é encarregado de ataques cibernéticos e monitoramento ilegal.
As investigações revelam que, em dezembro de 2025, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva solicitou a chave Pix de Anderson Wander da Silva Lima, que é agente da PF e atua na Delegacia Especial do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Marilson, que também faz parte de "A Turma", está envolvido em um esquema que inclui ameaças e intimidações.
De acordo com a PF, Marilson efetuou um pagamento a Anderson, solicitando sua chave Pix para enviar uma "oferenda", que foi realizada no dia seguinte. Os investigadores caracterizam o grupo de Marilson como um núcleo dedicado à prática de ações ilícitas, incluindo acessos indevidos a sistemas governamentais e obtenção de dados sigilosos para atender aos interesses de Vorcaro.
A PF afirma que essa estrutura funcionava como um esquema paralelo de vigilância sob o comando do banqueiro, que atualmente se encontra preso. O grupo, liderado por Marilson, era acionado pelo pai de Vorcaro para garantir vantagens ilícitas, e Marilson é considerado o operador financeiro dos pagamentos.
Entre os alvos da investigação estão o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior, que teve um mandado de prisão expedido, e Anderson Wander da Silva Lima, que está ativo na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro e também é alvo de prisão. Além deles, a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, que foi afastada do cargo e proibida de contatar membros da corporação, está sob investigação, assim como seu marido, Francisco José Pereira da Silva, um policial federal aposentado.