Rodrigo Pacheco critica classificação do PCC e CV como terrorismo pelos EUA

O senador Rodrigo Pacheco se opõe à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas, afirmando que isso banaliza o conceito de terrorismo. Ele defende que o combate a essas facções deve ser feito de forma soberana pelo Brasil.
fta20241212181-750x473-1

O senador Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais e ex-presidente do Senado, manifestou sua oposição à recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para o senador, essa rotulação contribui para uma banalização do conceito de terrorismo. Pacheco afirmou: “Ao classificar essas organizações como organismos de terrorismo, há banalização do conceito de terrorismo.”

O senador argumentou que a avaliação sobre o que constitui uma organização terrorista deve ser feita pelo Brasil. Ele considera que a decisão americana é equivocada, uma vez que o terrorismo é uma classificação específica que abrange aspectos particulares que não se aplicam ao PCC e ao CV. Embora reconheça que as organizações criminosas representam um grave problema, Pacheco defende que existem métodos adequados para combatê-las, distintos dos utilizados para o enfrentamento de grupos terroristas.

“Organizações criminosas são graves, é importante que sejam combatidas, são muito sofisticadas, mas são organizações criminosas e há métodos próprios para se combater organizações criminosas, que não os métodos próprios de terrorismo”, ressaltou o senador. Ele destacou que a principal diferença entre essas facções e grupos terroristas é que o objetivo central do PCC e do CV é o lucro. Para Pacheco, o Estado deve ter a soberania para decidir como combater essas organizações, e a classificação feita pelos Estados Unidos não colabora nesse sentido.

O senador ainda enfatizou que é necessário estabelecer diálogos com os EUA e outros países que possam auxiliar no combate ao PCC e ao CV, mas sempre considerando essas facções como organizações criminosas, e não como grupos terroristas. “Uma decisão equivocada dos EUA, e caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os EUA e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas. E eu considero que essa classificação (como grupos terroristas) não é necessariamente uma ajuda”, completou.

A classificação das facções brasileiras foi anunciada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em um pronunciamento na quinta-feira, 29, e terá vigência a partir de 5 de junho de 2026. O anúncio ocorreu logo após um encontro entre Rubio, o senador Flávio Bolsonaro, do PL, e representantes do governo americano em Washington. Flávio Bolsonaro declarou a jornalistas que a classificação como terroristas foi um dos principais tópicos discutidos na reunião, recebendo uma resposta positiva de Rubio.

Com a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos poderá restringir o acesso de indivíduos ou grupos a fundos sob sua jurisdição. Além disso, integrantes das facções ficarão proibidos de ingressar nos Estados Unidos, e será considerado ilegal o fornecimento de qualquer tipo de apoio ou recursos a essas organizações, além de outras sanções que podem ser aplicadas.