O agente americano que trabalhava na área de imigração no Brasil já retornou aos Estados Unidos, após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva implementar o "princípio da reciprocidade" em resposta à expulsão do delegado federal Marcelo Ivo de Carvalho. Este último atuava como oficial de ligação com o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) em Miami e foi obrigado a sair dos EUA sob a justificativa de que sua atuação foi irregular na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
Michael William Myers, que estava no Brasil desde 2024, deixou Brasília na quarta-feira (22). Essa informação foi confirmada por duas fontes que acompanham o caso de perto. A Embaixada americana no Brasil não forneceu informações oficiais sobre a situação, e a Polícia Federal (PF) também não se manifestou até o momento.
O retorno de Myers ocorreu um dia após o Itamaraty comunicar à encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, Kimberly Kelly, a decisão de convidar o agente a deixar o Brasil, em resposta à ação contra Marcelo Ivo de Carvalho. No dia anterior, o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos havia divulgado nas redes sociais que havia solicitado a saída do delegado brasileiro, após este ter realizado monitoramento que resultou na prisão de Ramagem.
O texto do órgão americano afirmou que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos". A nota ainda mencionou que, em decorrência dessa situação, pediu que o funcionário brasileiro em questão deixasse o país.
O Itamaraty fez um pronunciamento oficial na noite de quarta-feira (22), ressaltando a importância de um diálogo diplomático entre países amigos, como Brasil e Estados Unidos, que mantém relações há mais de 200 anos. O comunicado criticou a "decisão sumária contra o agente da Polícia Federal", afirmando que foi tomada sem qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo, conforme prevê o memorando de entendimento bilateral que regula essa cooperação policial.
Antes da adoção da reciprocidade pelo Itamaraty, a PF já havia retirado as credenciais do agente americano. A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos teve início após Ramagem, que já foi chefe da Abin, ser flagrado em uma infração de trânsito com o visto cancelado. Ele foi detido, mas liberado dois dias depois. O ex-deputado, que foi condenado a 16 anos de prisão por um plano de golpe, atualmente solicita asilo, alegando sofrer perseguição política.