Na quinta-feira (3), o ministro Alexandre de Moraes apresentou um Relatório de Inteligência que vem gerando discussões sobre seu formato e conteúdo, especialmente em relação ao uso de inteligência artificial. O documento, intitulado "Relatório de Inteligência – Tópico de Análise de Cenário", possui cerca de 50 páginas e apresenta uma estrutura que se afasta dos padrões jurídicos tradicionais.
O relatório se organiza em seções que incluem fatos, avaliações e hipóteses, além de atribuir notas de confiança a suas conclusões, utilizando classificações como "alta", "MODERADA" e "baixa". Essa abordagem, que envolve listar possíveis motivos para decisões de Mendonça e avaliar a consistência das provas apresentadas, é repetitiva ao longo do texto, o que levanta questionamentos sobre a sua origem.
A linguagem utilizada no relatório também sugere a influência de inteligência artificial. Termos como “hipótese alternativa que não pode ser descartada”, “elemento adicional de desproporção” e “tensão interna da própria decisão” são frequentes, o que pode indicar um estilo de redação característico de sistemas automatizados.
Além disso, o documento contém tabelas que cruzam dados e comparam ideias, além de medir riscos e impactos das situações apresentadas. Há uma seção que lista frases numeradas, cada uma associada ao seu respectivo “nível de confiança”, o que é incomum em relatórios desse tipo.
Outro aspecto notável é a preocupação dos autores em quantificar a certeza de suas afirmações. Ao invés de simplesmente oferecer um parecer jurídico, eles indicam a confiança em suas conclusões, classificando-as como de confiança "baixa", "média" ou "alta". Apesar de não mencionar explicitamente a utilização de ferramentas de IA, a análise técnica do arquivo poderia esclarecer essa questão, caso se realizasse uma avaliação dos metadados.
O foco principal do relatório reside nas atuações de André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, ambas da Polícia Federal. O documento também investiga o tempo que o ministro levou para responder aos pedidos da PF e sua relação com dados de outros ministros do STF, além de possíveis conexões políticas.