Relatório aponta práticas fraudulentas de ex-presidente do BRB em benefício de Daniel Vorcaro

Mensagens de WhatsApp revelam que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, teria agido de forma irregular para favorecer o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga o caso, que envolve valores significativos e a suspeita de propina.
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A prisão de Costa ocorreu na semana passada, a mando do Supremo Tribunal Federal (STF). Sua defesa, no entanto, refutou as alegações de irregularidades, afirmando que a operação foi aprovada pelo Banco Central. Por sua vez, a defesa de Vorcaro não se manifestou sobre o caso. A PF investiga a possibilidade de que os aportes realizados tenham servido como lastro para a aquisição de carteiras de crédito fraudulentas pelo banco estatal.

Os diálogos em questão referem-se ao aumento de capital do BRB, realizado em maio de 2024, que resultou na captação de R$ 290 milhões. Esse montante foi oriundo de fundos de investimento relacionados a Vorcaro e à gestora Reag. A PF está conduzindo uma investigação específica sobre suspeitas de fraude nesse procedimento.

O ministro André Mendonça, do STF, foi responsável pela ordem de prisão de Costa, que é acusado de aceitar R$ 146 milhões em propina. Este pagamento teria sido realizado através da troca de imóveis de luxo em troca de vantagens para o Banco Master.

Os diálogos divulgados pelo jornal O Estado de S.Paulo revelam que Costa teria escolhido pessoalmente os fundos para a operação, agindo de forma opaca e sem critérios claros. Além disso, o ex-presidente orientou seus subordinados sobre quais nomes e valores deveriam ser aportados. Em conformidade com as normas do banco, esses fundos não tinham permissão para investir diretamente no aumento de capital.

Para driblar essa restrição, Costa teria estruturado uma triangulação com acionistas intermediários. A auditoria aponta que o ex-presidente centralizou as decisões e organizou a entrada dos fundos Borneo, Delta e Verbier, utilizando pessoas físicas para ocultar o verdadeiro aporte dos veículos relacionados ao Banco Master.

A atual administração do BRB também denunciou que Costa adquiriu R$ 26 bilhões em "créditos podres" do Banco Master e do Will Bank. De acordo com o BRB, essas operações foram realizadas de maneira apressada e sem as devidas diligências prévias. Em razão das supostas irregularidades, o BRB acionou a Justiça do Distrito Federal, buscando o ressarcimento integral dos prejuízos causados pelos envolvidos.