A recente aprovação da reforma trabalhista na Argentina traz incertezas e expectativas em um país que enfrenta crises econômicas recorrentes. A base do governo de Javier Milei defende a atualização das leis trabalhistas, enquanto a oposição e analistas alertam para o risco de precarização das relações de trabalho.
Paulo Renato da Silva, professor de História na Universidade Federal da Integração Latino-Americana, comenta que as mudanças nas legislações trabalhistas são necessárias devido ao surgimento de novas modalidades e demandas. Contudo, ele enfatiza que atualizar a legislação não deve resultar em perda de direitos, como tem ocorrido nas últimas décadas. Silva acredita que a reforma não trará melhorias para a economia argentina, pois estimula a precarização em vez de promover a produtividade.
Pablo Friggeri, professor de Relações Internacionais na Unila, destaca que a reforma é coerente com as ações do governo Milei, que favorecem grupos empresariais e financeiros. Ele observa que as mudanças podem agravar os problemas sindicais, uma vez que trabalhadores precarizados não têm tempo para se envolver em atividades sindicais. Além disso, áreas como a educação foram classificadas como serviços essenciais, limitando a adesão a greves.
Antes mesmo da reforma entrar em vigor, muitos argentinos já sentem os efeitos das políticas do governo. Em Puerto Iguazú, aposentados como Mirta Elvira, de 66 anos, trabalham para sobreviver, relatando dificuldades financeiras e a necessidade de recorrer a supermercados em Foz do Iguaçu em busca de preços mais acessíveis.