Produção industrial do Paraná cresce em junho, mas fecha semestre em desaceleração

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Selic em patamar elevado encarece o crédito, aumenta o custo de capital das empresas e reduz o ritmo dos investimentos e do consumo –

A produção industrial do Paraná registrou crescimento de 2,8% em junho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, desempenho superior à média nacional, de 1,7%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do resultado positivo no mês, o primeiro semestre encerrou com retração de 0,6% no acumulado do ano, enquanto a indústria brasileira avançou 1,5% no mesmo período, indicando que a atividade industrial paranaense ainda enfrenta um cenário de desaceleração.

Na comparação com maio, considerando o ajuste sazonal, a produção industrial do Paraná recuou 0,8%, desempenho melhor que o registrado no país, onde a queda foi de 1,8%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a indústria paranaense registra retração de 1,2%, enquanto a média nacional aponta crescimento de 0,7%. O Paraná ocupa a quinta posição entre os estados no desempenho de junho em relação ao mesmo mês de 2025, mas aparece apenas na décima colocação no acumulado do ano, evidenciando que a recuperação ainda ocorre de forma desigual.

Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Evânio Felippe, os indicadores revelam um cenário típico de uma economia que ainda absorve os efeitos da política monetária restritiva adotada ao longo de 2025 e do início deste ano. “A indústria do Paraná ainda sente os efeitos defasados de um período prolongado de juros elevados. A Selic em patamar elevado encarece o crédito, aumenta o custo de capital das empresas e reduz o ritmo dos investimentos e do consumo. Mesmo com o início da redução da taxa básica, esses impactos permanecem por algum tempo e ajudam a explicar por que os indicadores acumulados continuam negativos”, afirma.

Segundo ele, a taxa Selic permaneceu em 15% ao ano no início de 2026 e foi reduzida gradualmente para 14,25% em junho, mas esse movimento ainda não produz efeitos imediatos sobre a atividade industrial. Além disso, o desempenho do setor depende de outros fatores, como demanda, exportações, câmbio, estoques e decisões empresariais.

“O crescimento de 2,8% em junho mostra que a produção industrial não responde apenas ao comportamento dos juros. Há segmentos que continuam avançando impulsionados por fatores específicos de mercado. A política monetária influencia o desempenho da indústria, mas não pode ser considerada, isoladamente, a causa dos resultados observados”, destaca Felippe.

Os números de junho mostram que o avanço da indústria paranaense foi sustentado principalmente pelos segmentos de fabricação de derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceram 11,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. E de veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 9,2%. Também apresentaram crescimento os setores de produtos de minerais não metálicos (3,3%), móveis (3,2%), produtos de metal (2,9%) e alimentos (2,8%). Na outra ponta, as maiores retrações foram registradas na fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-14,5%), máquinas e equipamentos (-5,6%), produtos químicos (-5,2%), borracha e material plástico (-5,1%) e produtos de madeira (-4,9%).

O fechamento do primeiro semestre reforça esse contraste. Enquanto os segmentos de refino de petróleo e biocombustíveis (4,9%) e veículos automotores (4,3%) sustentaram parte do desempenho da indústria paranaense, setores mais dependentes de investimentos e financiamento, como máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-16%) e máquinas e equipamentos (-7,3%), seguiram entre os mais afetados.

Para o economista da Fiep, o cenário indica que uma recuperação mais consistente dependerá da continuidade da redução dos juros, mas também da retomada da demanda e dos investimentos produtivos. “Os cortes recentes da Selic tendem a melhorar gradualmente as condições financeiras para empresas e consumidores, mas seus efeitos sobre a produção industrial levam tempo para aparecer. A recuperação dependerá também da evolução da demanda, do investimento e das condições específicas de cada cadeia produtiva. Os dados de junho mostram sinais positivos em algumas atividades, enquanto os indicadores acumulados ainda refletem um ambiente econômico restritivo”, conclui Felippe.

Com informações da assessoria



Fonte:A Rede PG