A arquitetura e o urbanismo ocupam um papel central na forma como as cidades são vividas, mas, para o arquiteto e urbanista Eduardo Bini, essa discussão precisa voltar a ter maior participação dos profissionais responsáveis por pensar e transformar os espaços urbanos. Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Paraná (IAB/PR), Bini defende uma atuação mais próxima da sociedade e do poder público e avalia que os arquitetos precisam recuperar espaço nos processos de decisão que definem o desenvolvimento das cidades.
A defesa acompanha uma série de iniciativas conduzidas pelo IAB/PR nos últimos anos, entre elas a realização do Concurso Público Nacional de Arquitetura para a nova sede da Câmara Municipal de Curitiba, o lançamento do Prêmio Gentileza Urbana e a articulação para levar o Congresso Brasileiro de Arquitetos (CBA) novamente à capital paranaense, em 2029. Para Bini, as ações partem de uma mesma premissa: aproximar a arquitetura das discussões que impactam diretamente a vida urbana.
“A cidade não é apenas um conjunto de edifícios e obras. Ela é o espaço onde as pessoas vivem, trabalham, circulam e se encontram. Por isso, as decisões sobre arquitetura e urbanismo precisam estar presentes no debate público. O arquiteto tem conhecimento técnico para contribuir com essas escolhas e precisa ocupar esses espaços”, afirma.
Arquitetura movimenta o mercado e a cidade
Para Bini, valorizar a arquitetura também significa reconhecer o trabalho desenvolvido diariamente dentro dos escritórios, onde profissionais acompanham as transformações do mercado, estudam novas demandas, avaliam possibilidades e desenvolvem projetos capazes de responder às necessidades da sociedade. A atividade envolve decisões que passam por orçamento, materiais, legislação, tecnologia, funcionalidade e qualidade dos espaços, além de movimentar diferentes profissionais e setores ligados à construção e ao desenvolvimento urbano.
“Existe um trabalho cotidiano, dentro dos escritórios, de profissionais atentos ao mercado, às transformações da sociedade e às necessidades das pessoas. São arquitetos e urbanistas que dedicam seu tempo a refletir sobre a qualidade dos espaços e a encontrar soluções que possam transformar a vida das pessoas de maneira positiva. Esse trabalho precisa ser reconhecido e valorizado”, afirma.
Na avaliação do presidente do IAB/PR, essa atuação está presente em praticamente todos os elementos que estruturam uma cidade. Edifícios públicos e privados, além de equipamentos urbanos como ruas, praças e avenidas, são resultado de processos de planejamento que envolvem arquitetos e urbanistas.
“Todos os edifícios públicos, todos os edifícios privados e os equipamentos que compõem uma cidade partem, em algum momento, da prancheta de um arquiteto e urbanista. É dentro do escritório que esse profissional dedica seu tempo para refletir sobre a qualidade desses espaços públicos e privados e sobre como eles podem contribuir para uma cidade melhor”, destaca.
Prêmio Gentileza Urbana
A visão defendida por Bini também está presente no Prêmio Gentileza Urbana 2026, iniciativa do IAB/PR que reconhece projetos, ações e intervenções capazes de tornar os espaços urbanos mais acolhedores, justos e sustentáveis. A premiação parte da ideia de que a qualidade de uma cidade também está relacionada à forma como edifícios, ruas, calçadas, praças e espaços privados se relacionam com a população.
“O que queremos é estimular uma mudança de perspectiva. Precisamos reconhecer as boas soluções e as pessoas que estão criando novas possibilidades para o espaço urbano. A gentileza urbana é esse exercício de perceber como decisões de diferentes escalas podem produzir cidades melhores”, explica.
Congresso Brasileiro de Arquitetura em Curitiba
A articulação para que Curitiba receba o Congresso Brasileiro de Arquitetos em 2029 também representa, segundo Bini, uma oportunidade para recolocar o Paraná no debate nacional sobre arquitetura e urbanismo. A capital paranaense sediou o evento pela última vez em 1997, na Ópera de Arame.
A edição de 2026, realizada em Fortaleza, reuniu mais de 5 mil arquitetos e urbanistas. Para Bini, o retorno do congresso ao Paraná deve servir para discutir os desafios contemporâneos da profissão e a relação entre arquitetura, planejamento urbano e desenvolvimento das cidades.
“Em algum momento, o Paraná se distanciou desse debate. O discurso do bom planejamento urbano foi incorporado pela classe política e, de certa maneira, os arquitetos se afastaram das tomadas de decisão. Precisamos recuperar essa participação e fazer com que a produção arquitetônica do Estado volte a ter presença no cenário nacional”, afirma.
A proposta para o CBA 2029 ainda terá seu tema definido por um Comitê Científico e um Comitê Organizador, mas a intenção é promover uma discussão ampla sobre o exercício profissional e as transformações sociais e urbanas que afetam as cidades.
Um novo olhar para o CAU
Essa visão também está no centro da candidatura de Eduardo Bini ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR). À frente da proposta “Um Novo CAU”, o arquiteto defende uma entidade mais próxima dos profissionais e com maior presença nas discussões relacionadas à valorização da arquitetura, à geração de oportunidades e à qualidade dos projetos desenvolvidos no Estado.
As eleições do CAU/PR estão marcadas para 5 de novembro e terão votação on-line.