Uma das tradições mais antigas e simbólicas do futebol inglês está perto do fim. A Premier League e a English Football League devem iniciar conversas formais para encerrar o chamado blackout das 15h de sábado. O objetivo sempre foi claro: proteger o público dos estádios das divisões inferiores, evitando que jogos televisionados da elite esvaziassem arquibancadas pelo país.
O Reino Unido é o último grande mercado europeu a manter essa restrição, enquanto a pressão por novas fontes de receita cresce. Nesta temporada, a Premier League já exibe um recorde de 270 partidas na TV local, mas dirigentes avaliam que apenas a liberação total do calendário permitirá compensar a estagnação, e até a queda real, do valor dos direitos de transmissão na Europa.
A regra está amparada no Artigo 48 dos estatutos da UEFA, que autoriza federações a bloquear transmissões ao vivo por até duas horas e meia aos fins de semana. Na Inglaterra, a Federação Inglesa é responsável por solicitar a aplicação da norma e não deve se opor à sua retirada. O possível fim do blackout, no entanto, não passa sem controvérsia.
A regra segue em vigor na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte, o que pode gerar pedidos de compensação financeira. Além disso, persiste o temor de impacto negativo na presença de público nos estádios das ligas menores.