A Polícia Federal (PF) realiza uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, às 14h, na sede da Superintendência Regional em São Paulo (SP), para apresentar as conclusões da investigação sobre o acidente do voo 2283 da Voepass. O evento atraiu a atenção da imprensa, que se posiciona para acompanhar os detalhes do relatório final.
A investigação, conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), revelou falhas tanto na atuação da empresa quanto dos pilotos e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De acordo com o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, responsável pela apuração, a Voepass apresentava uma "cultura de normalização de desvios", o que contribuiu para a tragédia.
Representantes das famílias das vítimas tiveram acesso em junho de 2026 às transcrições das conversas na cabine da aeronave, um documento que faz parte do laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC). Este laudo identificou que o acidente foi causado por uma combinação de falhas, incluindo problemas no sistema de degelo e na execução de procedimentos estabelecidos pelo fabricante.
A expectativa é que a Polícia Federal indicie funcionários e ex-funcionários da Voepass, apontados como responsáveis pela queda do ATR 72-500, crime que pode ser classificado como atentado contra a segurança do transporte aéreo. As penas para esse tipo de crime variam de 4 a 12 anos de prisão, podendo dobrar em casos que envolvam mortes.
O acidente, que ocorreu em Vinhedo em 2024, resultou na morte de 62 pessoas. A divulgação das conclusões da PF é uma continuação das investigações que tiveram início com relatório anterior da FAB, publicado em julho de 2026. Enquanto a FAB se concentra em identificar fatores contribuintes para evitar futuros acidentes, a PF investiga possíveis crimes e responsabilidades relacionados à tragédia.
A coletiva da PF, que será transmitida ao vivo, promete trazer esclarecimentos importantes sobre os desdobramentos deste caso que impactou muitas famílias e gerou discussões sobre a segurança na Aviação Civil brasileira.