O Paraguai destacou-se como o único país a se posicionar ao lado de Israel e dos Estados Unidos em um voto contra uma resolução que permite a participação virtual de autoridades palestinas em reuniões das Nações Unidas. A proposta foi aprovada na Assembleia Geral na quinta-feira (17), com um total de 152 votos a favor e apenas três contrários.
Outros países, como Colômbia, Honduras, Panamá e Peru, optaram por se abster da votação. Com a aprovação do texto, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, terá a oportunidade de discursar por vídeo durante o encontro anual de líderes mundiais da ONU, que acontecerá em Nova York. Além de Abbas, outras autoridades palestinas de alto escalão também poderão participar remotamente de reuniões e conferências da ONU, caso não consigam viajar aos Estados Unidos.
A votação ocorreu em um contexto marcado pela negativa do governo americano em conceder visto de entrada a Abbas, que enfrenta restrições semelhantes para outros integrantes da Autoridade Palestina e da Organização para a Libertação da Palestina. Esta foi a segunda vez consecutiva que o presidente palestino não pôde comparecer pessoalmente à Assembleia Geral, o que levanta questões sobre a participação da liderança palestina nas discussões internacionais.
Os Estados Unidos justificaram as restrições afirmando que a liderança palestina busca “internacionalizar” o conflito com Israel, inclusive por meio de ações em tribunais internacionais. A representação palestina, por sua vez, rejeitou essa justificativa, alegando que a medida visa limitar sua participação diplomática nas esferas internacionais.
Antes da votação, a vice-embaixadora americana na ONU, Tammy Bruce, fez declarações que criticam a Autoridade Palestina, sugerindo que deveria interromper o que Washington classifica como financiamento ao terrorismo e deixar de lado o que chamou de “teatro diplomático”. Israel também se manifestou contra a autorização para a participação palestina.
O Paraguai não apresentou uma justificativa pública detalhada para sua posição no voto, que reflete o alinhamento histórico do governo paraguaio com Israel e Os Estados Unidos em questões dessa natureza. A Palestina possui o status de Estado observador não membro nas Nações Unidas, o que lhe permite participar dos debates e manter representação diplomática, mas sem direito a voto na Assembleia Geral. O mesmo status é concedido à Santa Sé.