Paraguai expressa descontentamento com declaração de Lula sobre Guerra do Paraguai

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou uma declaração de repúdio às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai, considerando-as uma distorção do significado histórico do conflito.
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A Câmara dos Deputados do Paraguai manifestou nesta quarta-feira (29) o seu repúdio à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referente à Guerra do Paraguai. Em seu comunicado, a Casa Legislativa afirmou que as palavras de Lula "distorcem e minimizam o significado histórico" do conflito, que teve profundas consequências para o país.

No documento, a Câmara destacou que a fala do presidente demonstra "desconhecimento da complexidade dos antecedentes do conflito, o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio e as consequências demográficas, econômicas, institucionais e territoriais que marcaram a história da República do Paraguai".

Além de repudiar as declarações, a Casa pediu ao Poder Executivo, através do Ministério das Relações Exteriores, que busque a restituição do canhão "El Cristiano" e outros troféus de guerra que pertencem ao patrimônio histórico do Paraguai e que se encontram em território brasileiro. A Câmara também solicitou que o governo paraguaio "fortaleça" as relações de "amizade e respeito" mútuo com o Brasil.

A defesa da memória histórica da nação paraguaia, segundo a Câmara, deve ser compatível com o fortalecimento das relações diplomáticas, da integração regional e da cooperação entre os Estados. A Casa defendeu que esses princípios fundamentam o respeito recíproco, a verdade histórica, a boa fé e o reconhecimento dos acontecimentos que marcaram a história comum dos povos da região.

A fala de Lula sobre a Guerra do Paraguai ocorreu durante uma visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo, na sexta-feira (24). Durante seu discurso, o presidente enfatizou a necessidade de investimentos em defesa e o fortalecimento das Forças Armadas, mencionando que, embora o Brasil busque a paz, deve estar preparado para eventuais ameaças.

Lula comentou que "um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil", referindo-se ao conflito que custou ao Brasil três orçamentos à época. O presidente afirmou que, em tempos de guerra, não se questiona a disponibilidade de recursos financeiros.