O Paraguai registrou, no primeiro semestre de 2026, um total de 91 expulsões de cidadãos brasileiros, o que representa a maior quantidade entre todas as nacionalidades. Além disso, 201 brasileiros tiveram a entrada barrada por não cumprirem as exigências legais, conforme dados da Direção Nacional de Migração divulgados em julho. No total, foram realizados 2.425 procedimentos de segurança migratória em postos de fronteira e aeroportos durante os primeiros seis meses do ano.
Esse cenário ocorre em um momento de crescimento no fluxo de brasileiros que se dirigem ao Paraguai, impulsionado, em parte, pelas pesquisas eleitorais que apontam o ex-presidente Lula como favorito à reeleição. Tal combinação de fatores alimenta o receio entre os paraguaios sobre uma possível nova onda migratória, motivada por questões políticas e fiscais.
O fluxo migratório de brasileiros para o Paraguai atingiu seu pico histórico em 2025, quando mais de 17 mil pessoas obtiveram residência no país. Esse crescimento resultou em uma comunidade brasileira que agora ultrapassa 263 mil pessoas, posicionando-se como a terceira maior comunidade brasileira fora do Brasil.
O Paraguai tem se tornado um destino atrativo especialmente para aqueles que possuem capital para investir ou habilidades para empreender. O regime tributário simplificado, conhecido como sistema 10-10-10, estipula 10% de imposto de renda, 10% de IVA e 10% de imposto sobre dividendos. Também existe o regime de maquila, que reduz a tributação a apenas 1% sobre o valor agregado para empresas que atuam na exportação.
Entretanto, apesar dos atrativos, a atual administração, liderada por Santiago Peña, parece não estar disposta a acolher migrações que não se alinhem ao perfil desejado, como a migração irregular ou de baixa qualificação. As recentes expulsões e inadmissões refletem essa postura, indicando um endurecimento nas políticas migratórias do país.