A sanção da Lei Orçamentária Anual de 2026 trouxe à tona um desequilíbrio que preocupa especialistas e lideranças do setor produtivo. Os números revelam um abismo: enquanto o Proagro recebeu uma dotação de R$ 6,618 bilhões, o Programa de Subvenção ao Prêmio do seguro rural (PSR) ficou com apenas R$ 1,017 bilhão.
O Proagro, embora historicamente importante para o pequeno produtor, tornou-se um gargalo fiscal.
Diferente do Proagro, o seguro rural atua na lógica da transferência de risco.
O seguro rural atua na lógica da transferência de risco, onde o governo paga uma parte do prêmio e, caso ocorra um desastre climático, quem paga a conta são as seguradoras e resseguradoras privadas.
Lucas Schauff, diretor-técnico da Apepa, alerta para a ineficiência técnica dessa escolha orçamentária.
A lógica atual é inversa ao que se espera de uma gestão moderna.
Além do valor já reduzido para o seguro rural em 2026, o setor convive com o fantasma do contingenciamento.
O resultado é um retrocesso histórico: o Brasil atingiu a menor área agrícola segurada dos últimos 10 anos.
Isso ocorre justamente no momento em que as mudanças climáticas tornam os eventos extremos mais frequentes e severos.
A contradição é acentuada pelo cenário de crise fiscal.
A pergunta que fica para 2026 é: até quando o Brasil vai preferir absorver o risco climático com o orçamento público em vez de solucioná-lo com eficiência técnica e previsibilidade?
A expectativa das entidades do agronegócio é que haja uma revisão na execução desses recursos, garantindo que o PSR não sofra novos cortes e que o país retome o crescimento da área segurada