Operação sem Desconto: PF e CGU realizam 31 mandados em investigação sobre fraudes no INSS

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nova fase da Operação Sem Desconto, focando em fraudes em aposentadorias e pensões do INSS. São 31 mandados cumpridos e diversas medidas cautelares em estados como Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
Foto: Polícia Federal descobriu uma fábrica clandestina de fuzis de uso restrito
Foto: Polícia Federal descobriu uma fábrica clandestina de fuzis de uso restrito

Na manhã desta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram uma nova fase da Operação Sem Desconto. A operação investiga um esquema nacional relacionado a descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, além de oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, todas autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

De acordo com a PF, o objetivo desta fase da operação é aprofundar as investigações sobre a prática de crimes contra a Administração Pública, incluindo a formação de organização criminosa e estelionato previdenciário, além de atos de ocultação e dilapidação patrimonial. As ações estão sendo realizadas no Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo e Paraíba, com foco em diferentes núcleos regionais.

No núcleo de Brasília, as entidades UNIBAP e ABENPREV são investigadas por supostos descontos aplicados em benefícios previdenciários, resultado de acordos de cooperação firmados com o INSS nos anos de 2021 e 2023. Em São Paulo, a atenção se volta para um grupo conhecido como "Golden Boys", que inclui associações como Amar Brasil Clube de Benefícios e Master Prev.

As investigações em Garanhuns concentram-se em servidores e ex-servidores do INSS. Entre os citados nas apurações Em Brasília estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, identificados como articuladores ligados à gestão das associações. Outros nomes mencionados são Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber, Alexandre Caetano e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, todos relacionados à estrutura financeira do esquema.

Em São Paulo, a prioridade desta fase é prevenir a dilapidação do patrimônio dos investigados, especialmente após indícios de venda rápida de imóveis e bens de luxo a preços abaixo do mercado. Entre os alvos estão Américo Monte Júnior, Felipe Macedo Gomes, Igor Dias Delecrode e Anderson Cordeiro de Vasconcelos, que ocupam posições relevantes na gestão das associações sob investigação.

No núcleo de Garanhuns, os principais alvos incluem Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria da Superintendência Regional do Nordeste, e Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS na região. A investigação aponta que Rogério tem ligações com a ABAPEN, que recebeu aproximadamente R$ 70,9 milhões em descontos ao longo de 2024. Desses valores, cerca de R$ 24,7 milhões estariam ligados a empresas de Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", atualmente preso e apontado como o principal lobista envolvido nas fraudes contra aposentados e pensionistas.