O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal iniciaram, na manhã de quarta-feira (29), a Operação Conexão, que tem como alvo uma organização criminosa supostamente envolvida em um esquema de lavagem de dinheiro oriundo da exploração do jogo do bicho e do vídeo bingo no Estado do Rio de Janeiro.
Durante a operação, estão sendo cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca de São José do Rio Preto. As ações judiciais ocorrem em cidades como São José do Rio Preto (SP), Guapimirim (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Campo Grande (MS).
As investigações indicam que o grupo teria montado um complexo esquema de lavagem de capitais, utilizando máquinas de pagamento com cartão em bancas de jogo, contas de empresas de fachada e retiradas fracionadas em dinheiro vivo, com o objetivo de dificultar o rastreamento dos valores movimentados.
Entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas sob análise movimentaram cerca de R$ 2 bilhões em créditos e débitos, sendo que aproximadamente R$ 100 milhões teriam sido retirados em espécie. A Justiça também impôs medidas patrimoniais contra 18 pessoas físicas e jurídicas envolvidas, incluindo o sequestro de bens e ativos, bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade de criptoativos e restrição de veículos, totalizando um valor que pode chegar a R$ 2 bilhões, correspondente ao patrimônio ligado ao suposto esquema.
Os envolvidos na operação podem ser responsabilizados por lavagem de capitais, conforme a Lei nº 9.613/1998, e por integrar uma organização criminosa, de acordo com a Lei nº 12.850/2013. O nome da operação, Conexão, refere-se à ligação identificada entre os núcleos responsáveis pela arrecadação dos recursos do jogo do bicho e a integração desse dinheiro em São José do Rio Preto, onde os valores teriam sido convertidos em patrimônio aparentemente lícito, especialmente por meio de investimentos na construção civil.
Para a execução das ordens judiciais e o avanço nas investigações, a operação mobilizou uma força-tarefa composta por 88 policiais federais e quatro promotores de Justiça, que atuam na busca por evidências do esquema financeiro bilionário.