ONU solicita revisão da política migratória dos EUA em meio à Copa do Mundo

O alto comissário da ONU, Volker Türk, pediu que os Estados Unidos reconsiderem sua política migratória, especialmente após a proibição de entrada de árbitro somali para a Copa do Mundo de 2026.

O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou a necessidade de os Estados Unidos reavaliarem sua política migratória durante a Copa do Mundo de futebol. A declaração surge em um contexto de crescente tensão, com participantes da competição enfrentando barreiras de entrada no país.

Türk enfatizou a importância de revisar como as medidas de controle de imigração impactam os Direitos Humanos e a dignidade das pessoas. Ele solicitou que, especialmente com a aproximação da Copa do Mundo, as políticas que têm gerado preocupações sejam reconsideradas. "Espero sinceramente que repensem profundamente sobre a forma como as medidas de controle da imigração afetam os Direitos Humanos e a dignidade humana", afirmou Türk durante a coletiva de imprensa.

Na última segunda-feira (8), o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos, apesar de possuir um visto válido. Artan, reconhecido como o melhor árbitro pela Confederação Africana de Futebol em 2025, deveria se tornar o primeiro árbitro da Somália a participar de um Mundial da FIFA, programado para 2026.

A negativa de entrada de Artan não foi detalhada pelas autoridades de fronteira, que mencionaram apenas questões relacionadas a seus antecedentes. A agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou: "Ao término da inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo, foi considerado inadmissível devido a questões relacionadas à verificação de seus antecedentes".

A FIFA, por sua vez, declarou que não possui influência sobre as decisões de imigração do país anfitrião, que é responsável pela concessão de vistos. Um porta-voz da entidade destacou que a situação de Artan não mudaria, conforme informado pelas autoridades americanas.

A Somália é um dos países cujos cidadãos enfrentam restrições de viagem para os Estados Unidos, uma situação que se intensificou durante a administração do presidente Donald Trump. Além do árbitro somali, a Seleção do Senegal também foi alvo de tratamento rigoroso ao chegar aos EUA, assim como a delegação do Uzbequistão, que passou por revistas intensivas e foi acompanhada por cães farejadores ao desembarcar para um amistoso contra a Holanda.