Governador goza de alta aprovação no Paraná, mas precisa viabilizar sua candidatura ao Planalto e emplacar um sucessor forte no estado
Ratinho Junior (PSD) acumula mais de sete anos à frente do governo paranaense, com aprovação de 85,5% da população segundo pesquisa recente da Paraná Pesquisas, realizada em janeiro de 2026 com 1.300 eleitores em 54 municípios. Desses, 74,8% avaliam sua gestão como ótima ou boa, enquanto apenas 11,5% desaprovam. Esse prestígio local é um trunfo, mas o tempo urge para converter em projeção nacional.
Sem chance a possiblidade de reeleição no estado, o governador intensificou sinais de candidatura à Presidência em 2026, com agendas em São Paulo, entrevistas nacionais e postagens pessoais nas redes sociais para nacionalizar sua imagem. Ele conta com aval de Gilberto Kassab, presidente do PSD, e prioriza temas como privatizações e gestão eficiente, atraindo o mercado financeiro. Pesquisas mostram ele conhecido por 58% dos brasileiros, com potencial moderado para atrair eleitores além do Paraná.
A escolha do sucessor é o segundo obstáculo: nomes como Guto Silva, atual chefe da Casa Civil e aliado de proximidade estratégica com Ratinho, e Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia, circulam como favoritos, mas sem indicação oficial, abrindo espaço para opositores como Requião Filho (PDT). Segundo especialistas, como Murilo Hidalgo do Paraná Pesquisas, definir um nome competitivo é essencial para manter a hegemonia local enquanto ele mira Brasília – até mesmo pela importância que Paraná tem, quarto maior PIB do país.
Proximidade com Guto Silva
Guto Silva destaca-se como o sucessor mais próximo de Ratinho Junior, com laços forjados em gestões anteriores e participação direta nas principais decisões do governo paranaense, como reformas administrativas e atração de investimentos. Essa confiança mútua, evidenciada em eventos públicos e nomeações estratégicas, posiciona Guto como o nome natural para herdar o legado, evitando rupturas no grupo político. Analistas veem nessa aliança um fator de estabilidade para o PSD no estado.
Estratégia para 2026
Ratinho planeja usar sua base fiel no Paraná para impulsionar Guto na sucessão estadual, enquanto pavimenta o caminho nacional com parcerias no PSD e contatos em outros estados do Sul e Sudeste. A coordenação dupla exige malabarismos, mas a proximidade com Guto facilita a transição, permitindo foco na campanha presidencial sem desidratar o palanque local. O governador aposta em uma narrativa de continuidade eficiente para ambos os fronts.
Riscos e oportunidades
Sem um sucessor consolidado como Guto Silva, a oposição pode capitalizar a indefinição, com nomes como Requião Filho ganhando tração em pesquisas iniciais para 2026. Por outro lado, a alta aprovação de Ratinho oferece munição para transferir votos, especialmente se Guto absorver a imagem de gestor prático e leal. O desfecho dependerá da rapidez na escolha, em um calendário eleitoral que já pressiona.
