A ausência de Brasil, Alemanha e Itália nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022 marca um momento inédito na história do torneio. As três seleções, que juntas conquistaram 13 títulos, não conseguiram avançar na competição pela primeira vez. A Itália, inclusive, não se classificou, repetindo o fracasso pela terceira vez consecutiva. Esse cenário revela uma mudança significativa no equilíbrio do futebol mundial.
O que se observa é um dilema: trata-se de uma decadência sem volta ou de uma transição necessária? Apesar dos recentes insucessos, Brasil, Alemanha e Itália continuam a figurar entre os dez elencos mais valiosos do planeta, indicando que o problema vai além de questões financeiras ou de talento. A situação é complexa e resultado de uma série de fatores que foram se acumulando ao longo do tempo.
No caso do Brasil, a situação é preocupante. As convocações polêmicas e o planejamento deficiente da CBF, aliado à troca constante de treinadores, geraram uma instabilidade que culminou na pior campanha desde 1990. Mesmo com a presença de treinadores renomados, como Ancelotti, a equipe não conseguiu encontrar o caminho do sucesso, evidenciando uma dependência excessiva de individualidades e uma grave falta de reposição na base.
A Alemanha, por sua vez, viveu a ilusão de que a conquista do tetra em 2014 os tornaria eternos no cenário futebolístico. No entanto, reformas mal conduzidas nas categorias de base e a superestimação de uma geração que envelheceu de forma inadequada resultaram em uma eliminação vexatória nos pênaltis para o Paraguai na fase de mata-mata. Os erros cometidos em 2018 e 2022 se repetiram, acentuando a crise da seleção.
A Itália enfrenta desafios semelhantes, com a Série A perdendo competitividade e a diminuição no investimento nas categorias de base. A falta de capacidade da federação em promover uma reconstrução efetiva é evidente, já que a seleção não se classifica para a Copa do Mundo há três edições consecutivas, o que não pode ser considerado apenas um golpe de azar.
Embora a incompetência tenha acelerado o declínio dessas seleções, é importante ressaltar que esse processo já estava em curso. O futebol é implacável com aqueles que não se adaptam às novas realidades. O futuro dessas potências do futebol dependerá de sua capacidade de se reinventar rapidamente, ou o espaço que deixarem poderá ser ocupado por novas forças emergentes no cenário mundial.