Durante uma reunião interna, a ministra Cármen Lúcia expressou a insatisfação da população com o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que "todo taxista que eu pego fala mal do Supremo". Essa declaração reflete um descontentamento crescente que se intensificou desde 2019, evidenciado por uma pesquisa do Canal Meio que revelou que 42% da população brasileira vê o Judiciário como uma "ameaça à democracia". Além disso, uma pesquisa da AtlasIntel, em parceria com O Estado de S. Paulo, aponta que 60% dos brasileiros não confiam no STF, especialmente após um esquema de fraude bilionário envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e suas conexões com membros da Corte.
Em resposta a essa crise de confiança, uma parte do STF começou a adotar decisões que são apresentadas como medidas de transparência e moralidade. Entretanto, muitos críticos argumentam que as estruturas de poder dentro da Corte permanecem inalteradas. Uma das ações mais notórias foi a liminar de Flávio Dino, que limita o uso da aposentadoria compulsória como a principal sanção disciplinar para juízes. Essa medida, anteriormente utilizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em casos de corrupção e outros crimes graves, foi criticada por permitir que magistrados se aposentassem mantendo seus salários integrais.
A decisão, que foi divulgada como uma "correção histórica", acabou dificultando a punição de juízes por irregularidades. Sob a nova regra, o CNJ enfrentará caminhos mais longos e incertos para aplicar sanções severas, que agora podem envolver a Advocacia-Geral da União e uma nova análise pelo próprio STF. Essa mudança gerou preocupações sobre a eficácia da justiça em casos de má conduta.
Apesar dos esforços do STF para melhorar sua imagem, as inquietações com a atuação de alguns ministros continuam. Por exemplo, a empresa da qual Dias Toffoli é sócio vendeu sua participação no Tayayá Resort para um fundo vinculado ao Master, e a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci, possuía um contrato de R$ 129 milhões com um banco. Até o presente momento, o STF não iniciou nenhuma investigação interna sobre esses episódios.
Os dados de opinião pública mostram que, mesmo com as recentes iniciativas de transparência, a desconfiança em relação ao STF permanece elevada. A maioria da população ainda expressa desconfiança em relação à Corte, indicando que as estratégias adotadas para melhorar a imagem institucional não têm sido eficazes e não conseguem superar a realidade dos fatos.