A candidata Marina Silva, da Rede-SP, destacou a importância de estudos ambientais detalhados antes de qualquer exploração de petróleo na Foz do Amazonas, durante uma sabatina realizada na Jovem Pan. Ela enfatizou que a decisão sobre a viabilidade dessa atividade não cabe ao Ministério do Meio Ambiente ou ao Ibama, mas deve ser respaldada por análises técnicas.
Ao responder questionamentos sobre os impactos ambientais da exploração na Foz do Amazonas, Marina fez uma distinção entre as áreas da Margem Equatorial, onde a atividade já é consolidada, e a Foz do Amazonas, que classificou como uma região nova e com pouca familiaridade. “A Margem Equatorial possui uma parte de exploração de petróleo consolidada na Bacia Potiguar, enquanto a Foz do Amazonas representa uma complexidade sem tamanho, sendo a bacia menos conhecida”, afirmou.
A candidata recordou que o processo de licenciamento para a prospecção na Foz do Amazonas passou por uma empresa privada antes de ser encaminhado à Petrobras. Ela mencionou que a autorização para a exploração foi negada em duas ocasiões, durante os mandatos de Michel Temer e Luiz Inácio Lula da Silva. “Num governo republicano, a licença deve seguir um processo técnico e não pode ser influenciada politicamente”, declarou.
Marina também defendeu a realização de uma Avaliação Ambiental específica para a Área Sedimentar da Foz do Amazonas, um tema que, segundo ela, vem sendo discutido com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, desde 2023. “É essencial fazer a Avaliação Ambiental para a Área Sedimentar da Foz do Amazonas, com estudos profundos sobre as repercussões ambientais na bacia”, afirmou.
A candidata ressaltou que a decisão final sobre a exploração não é de competência dos órgãos ambientais. Ela também abordou a relação entre a exploração de petróleo na região e a transição energética, mencionando as discussões que ocorrerão durante a COP30. Marina propôs a criação de um fundo utilizando recursos provenientes do petróleo para financiar alternativas energéticas sustentáveis, citando a biomassa, a energia solar, a eólica e o hidrogênio verde como possíveis soluções.
Para Marina Silva, o Brasil tem a oportunidade de desempenhar um papel significativo na transição energética global. “O Brasil pode ser uma grande solução para ajudar na transição ecológica do mundo”, afirmou. Ao final da entrevista, ela sugeriu uma mudança no papel da Petrobras, defendendo que a empresa deve se transformar em uma companhia de energia, e não apenas de exploração de petróleo.