O secretário de Agricultura do Paraná, Márcio Nunes, afirmou ter utilizado politicamente uma doação de respiradores para a Santa Casa de Campo Mourão durante a pandemia de Covid-19. Essa confissão consta no Acordo de Não Persecução Cível assinado com o Ministério Público do Paraná para evitar uma ação de improbidade administrativa que tramita na 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. O acordo ainda precisa ser homologado judicialmente.
O caso foi revelado pela RPC-TV. No acordo, datado de 24 de novembro de 2025 e homologado pelo Conselho Superior do MP em 9 de dezembro do mesmo ano, Nunes se comprometeu a pagar uma multa civil de R$ 23.634,10, quantia correspondente ao seu salário na época. Ele foi investigado por divulgar a doação feita pela Engie Brasil Energia em suas redes sociais, o que, segundo o MP, conferiu um caráter pessoal a uma ação que deveria ser impessoal.
De acordo com o MP, o secretário explorou sua imagem ao anunciar a doação, que deveria ser destinada à Santa Casa de Campo Mourão, cidade onde reside e que também é seu reduto eleitoral. Sua esposa, Fátima Claro Nunes, era vice-prefeita da cidade na época. Em 2021, Nunes publicou um vídeo nas redes sociais fazendo a entrega dos equipamentos, mas o removeu poucas horas depois.
O MP ajuizou a ação de improbidade administrativa, argumentando que Nunes praticou atos de publicidade contrários à Constituição Federal, promovendo sua imagem pessoal. A doação da Engie Brasil Energia também levantou questões devido à instalação de linhas de transmissão de energia na região, com autorização dada pelo IAT, órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Sustentável anteriormente chefiada por Nunes.