Lula exige colaboração dos EUA na entrega de investigados

O presidente Lula declarou que os Estados Unidos devem entregar investigados e condenados que se encontram em seu território, destacando a necessidade de cooperação no combate ao crime organizado, especialmente após a recente classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Ramagem — Foto: Ramagem
Ramagem — Foto: Ramagem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em 29 de maio de 2026, que os Estados Unidos devem colaborar com o Brasil entregando indivíduos investigados e condenados que residem em seu território. A declaração foi feita um dia após o governo americano classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Durante seu discurso, Lula enfatizou que o Brasil está pronto para cooperar no combate ao crime organizado, iniciando essa colaboração pelo estado de Delaware, mencionado como um local de lavagem de dinheiro por brasileiros. "Vamos começar entregando o [Alexandre] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá", destacou o presidente.

Além disso, Lula mencionou o empresário Ricardo Magro, vinculado ao grupo Refit, chamando-o de "maior contrabandista de combustível desse país". O presidente revelou que havia entregue ao ex-presidente Donald Trump o nome e a fotografia da residência de Magro. "Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão nos EUA", afirmou.

Essas declarações surgem em resposta à medida anunciada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que gerou preocupação no governo brasileiro. O Palácio do Planalto avalia que a classificação das facções pode levantar questionamentos sobre a soberania nacional e resultar em possíveis ações unilaterais de Washington.

Lula também relatou ter discutido a questão diretamente com Trump em encontro realizado no mês atual, expressando descontentamento com a forma como o Brasil é tratado. "Não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta. Entreguei quatro documentos a ele [Trump]", declarou o presidente.

Em sua fala, Lula criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recentemente esteve nos Estados Unidos e defendeu a categorização do PCC e do CV como organizações terroristas. O presidente se referiu a ele como "Seu Marco Rubio", insinuando que o senador estava se preparando para ajudar um candidato bolsonarista nas eleições americanas, e acusou-o de solicitar intervenção americana no Brasil.