A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se aproxima do último momento antes das eleições, com foco em transformar a situação de endividamento das famílias em uma oportunidade eleitoral. Após meses enfrentando dificuldades para converter indicadores econômicos em votos, o petista anunciou o fim das apostas e uma nova edição do programa Desenrola, a apenas nove dias do primeiro turno.
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro (PL) intensificou seus esforços para conquistar eleitores fora de sua base tradicional, ampliando a participação de aliados na mobilização de votos. No entanto, essa estratégia se depara com o desafio de conter os efeitos de uma notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida, que pode impactar sua imagem.
Os desdobramentos do caso Banco Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) acrescentam novas preocupações às campanhas de ambos os candidatos. Em agosto, membros do governo e aliados próximos a Lula descreviam a estratégia do presidente como “jogar parado”, acreditando que ele não precisava aumentar os riscos enquanto liderasse nas pesquisas. Embora parte dessa abordagem tenha sido mantida, a proximidade da votação gerou pressão por ações que pudessem alcançar os eleitores antes da votação.
A estratégia inicial de Lula foi apresentar resultados do governo, como o desemprego em níveis recordes, inflação controlada e isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Contudo, esses indicadores não geraram o impacto esperado nas urnas. Conversas internas entre petistas revelaram um problema de comunicação: os resultados macroeconômicos não se traduziam em melhorias perceptíveis no dia a dia do eleitor. Diante disso, a campanha passou a priorizar a chamada “economia palpável”, com medidas que afetam diretamente o orçamento das famílias.
Entre as ações dessa nova estratégia estão o fim do imposto federal sobre as “blusinhas”, a defesa da redução da escala 6×1 e a nova edição do Desenrola. A proibição das apostas também se integrou a essa abordagem, associando as apostas ao endividamento das famílias e à forma como as informações são divulgadas.
Para Flávio, os conflitos atuais apresentam novas oportunidades para criticar a atuação da Corte, enquanto a investigação sobre sua própria ação exige que a campanha responda a questionamentos relacionados ao caso Banco Master. Já Para Lula, as revelações sobre essas investigações ampliam a visibilidade de relações políticas que não estavam no centro de sua estratégia eleitoral. Em ambos os casos, o andamento das investigações cria preocupações que fogem do planejamento inicial das candidaturas.