O presidente Lula (PT) rejeitou, na última quinta-feira (27), a ideia de privatizar os Correios e reafirmou seu compromisso em recuperar a estatal, apesar da grave situação financeira que a empresa enfrenta. Nos primeiros seis meses de 2026, os Correios acumularam um prejuízo de R$ 5,4 bilhões, refletindo a deterioração de suas finanças durante a gestão atual.
Durante sua participação no Jornal Nacional, Lula foi questionado se considerava vender a empresa, ao que respondeu negativamente. O presidente ressaltou que a crise financeira não é um fenômeno exclusivo de sua administração, lembrando que a estatal enfrenta dificuldades desde 1985. “Desde 85, o Correio Brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar o Correio”, declarou.
O presidente também atribuiu parte dos problemas enfrentados pelos Correios à sua incapacidade de se adaptar às novas demandas do mercado. Segundo Lula, a empresa não conseguiu acompanhar o surgimento de diversas alternativas de entrega, resultando em uma estagnação nos serviços prestados. “Obviamente que o Correio é a vítima. É que ele não se adaptou aos novos tempos”, afirmou.
A situação financeira dos Correios é alarmante, com dados preliminares do balancete indicando que as despesas chegaram a R$ 12,4 bilhões, enquanto a receita permaneceu praticamente inalterada em R$ 8,16 bilhões. Essa discrepância contribui para a pressão contínua sobre as finanças da estatal.
Lula propôs medidas de “enxugamento” e a exploração de parcerias com empresas do setor privado e estrangeiras, como estratégia para a recuperação dos Correios. Ele enfatizou a disposição do governo em buscar associações que possam trazer melhorias aos serviços prestados. "Se for necessário fazer associação com a empresa, nós faremos, com empresa trabalhadora, com empresa estrangeira", disse.
Essa abordagem se torna ainda mais relevante, visto que, no final de 2025, os Correios firmaram um acordo para contrair R$ 12 bilhões em empréstimos com um consórcio de bancos, incluindo Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander. Essa operação deverá gerar um custo de R$ 22,4 bilhões em juros ao longo de sua duração, aumentando ainda mais a pressão sobre a situação financeira da estatal.