A defesa do senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, protocolou um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (22) com o objetivo de anular a decisão que deu origem à 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação busca apurar um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, do qual Wagner é um dos alvos.
Os advogados do parlamentar argumentam que a autorização para a busca e apreensão em endereços relacionados a Jaques Wagner foi fundamentada em premissas errôneas, alegando que não existem elementos que justifiquem tais ações. O recurso, classificado como agravo interno, poderá ser analisado pela Segunda Turma do STF, caso seja aceito pelo relator do processo, ministro André Mendonça.
As investigações da Polícia Federal levantam suspeitas sobre possíveis favorecimentos de Jaques Wagner ao Banco Master no Congresso Nacional, em troca de vantagens indevidas. A defesa do senador refuta essa tese, afirmando que não houve qualquer irregularidade. Entre os elementos analisados estão transações imobiliárias e movimentações financeiras, além de benefícios potenciais concedidos a pessoas próximas a Wagner.
O senador confirmou ter discutido a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A defesa sustenta que todas as negociações ocorreram dentro da legalidade e não configuram ilícitos.
Nos próximos dias, um encontro entre Jaques Wagner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá definir o futuro do senador na liderança do governo. Apesar da amizade entre os dois, a possibilidade de Wagner deixar a posição de liderança ganhou força nos bastidores do Palácio do Planalto. Internamente, há preocupações de que as investigações possam impactar a campanha de reeleição de Lula e alterar o cenário eleitoral.
A Defesa de Jaques Wagner também destacou que o senador se opôs à “Emenda Master”, proposta por outro parlamentar no contexto da PEC 65/2023. O relator da emenda, senador Plínio Valério (PSDB-AM), afirmou que nunca foi contatado por Wagner para discutir o tema.