Jaques Wagner, senador e líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está sob investigação por possível mentira relacionada ao dinheiro apreendido pela Polícia Federal em seus endereços. Ele alegou que os valores, que somam US$65.795 e 39 mil euros, seriam provenientes de diárias recebidas ao longo de seu mandato, iniciado em 2019.
Wagner afirmou em uma entrevista à TV BandNews que, desde 2019, teria recebido cerca de US$70 mil em diárias por viagens internacionais. No entanto, uma reportagem revelou que esses valores não correspondem ao montante encontrado pela PF. O senador também declarou ter adquirido dólares e euros no Banco do Brasil para essas viagens.
O presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, criticou a justificativa de Wagner, afirmando que a alegação de que o dinheiro se tratava de diárias é “totalmente desarrazoada”. Ele ressaltou que, para ser legal, o dinheiro deveria constar na declaração do Imposto de Renda do senador. Livianu também destacou que as diárias têm como objetivo ressarcir despesas de deslocamento, e que, caso não tenham sido utilizadas, o correto seria a devolução dos valores.
Guilherme France, gerente do Centro de Conhecimento Anticorrupção da Transparência Internacional – Brasil, apontou que o dinheiro em espécie é de difícil rastreamento e lembrou que o Brasil já presenciou diversas operações da Polícia Federal envolvendo grandes quantidades de dinheiro em mãos de agentes públicos suspeitos.
Em termos de diárias recebidas, Wagner teve seu maior rendimento no ano de 2019, totalizando US$14.809. Durante esse ano, ele viajou para a China, Uruguai, Cazaquistão, Guatemala, Panamá e Espanha, além de acompanhar a canonização de irmã Dulce no Vaticano.
Nos anos seguintes, os valores recebidos foram de US$12.402 em 2025, quando integrou a comitiva de Lula em visitas ao Vietnã e Japão, e US$11.300 em 2023, ano em que participou de eventos na Califórnia, China, Nova York e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, incluindo a COP28.