Jaques Wagner, senador do Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou sua desistência da liderança do governo no Senado. A decisão foi influenciada por uma operação da Polícia Federal (PF), que tornou a permanência de Wagner em seu cargo insustentável. Um integrante do governo no Planalto afirmou que não haverá hostilidade em relação ao senador, uma vez que ele é um aliado de longa data, mas o afastamento é necessário para proteger a imagem do governo e a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A operação da PF levantou questões sobre a relação de Wagner com o Banco Master, o que contribuiu para seu enfraquecimento político. Aliados do senador mencionaram que suas declarações negando vínculos com a instituição financeira acabaram se tornando um ponto fraco. Em uma entrevista à Band News, Wagner havia afirmado que continuaria no cargo de líder do governo até que Lula decidisse de outra forma. Após a operação, o presidente entrou em contato com ele para expressar solidariedade.
As investigações da PF indicam que Wagner teria atuado em favor do Banco Master em pelo menos três ocasiões. Entre essas ações está a apresentação de uma emenda a uma Medida Provisória de 2022, que tinha como objetivo aumentar a margem consignável para trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e para aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Outra ação foi a proposta da PEC nº 65/2023, a chamada “Emenda Master”, que visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Além disso, Wagner foi mencionado em investigações relacionadas à possível aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). As suspeitas se intensificaram com a revelação de que o senador teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, além de regalias como o uso de aeronaves particulares e acesso a um camarote em um show em Los Angeles, cujo custo foi de R$ 63,3 mil.
O vínculo de Wagner com o Banco Master era mediado pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição, que também é alvo da operação da PF e possui boas relações com membros do PT na Bahia. A investigação também revelou que uma empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner recebeu uma transferência de R$ 3 milhões de uma financeira associada a Lima. A situação coloca em evidência a necessidade de maior vigilância sobre as práticas de lobby e as conexões entre políticos e instituições financeiras no Brasil.