Internação de menina em Natal levanta suspeitas sobre detergente Ypê

Uma criança de dez anos foi internada em Natal (RN) após apresentar sintomas graves após contato com detergente Ypê, que está sob investigação pela Anvisa. A menina apresenta manchas na pele e dores intensas, enquanto aguarda laudos hospitalares.
Foto: Foto: Reprodução
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Uma menina de dez anos foi internada em um hospital de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, na última quinta-feira (7), após apresentar uma infecção que resultou em irritações na pele. A internação ocorreu após a criança ter contato com um frasco de detergente Ypê, cujo lote de fabricação termina em 1. Este produto faz parte dos lotes suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido à contaminação com a bactéria Pseudomonas aeruginosa.

Os sintomas da menina começaram a se manifestar um dia antes da suspensão dos produtos Ypê, anunciada pela Anvisa. Em 6 de maio, a criança teve contato com o detergente e, logo em seguida, começou a apresentar manchas nas orelhas e na palma de uma das mãos, que rapidamente se espalharam por todo o corpo. Além das manchas, a menina relatou dores intensas, perda de força nas pernas e dificuldades para caminhar, o que levou a família a levá-la à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Desde a sua internação, a criança vem recebendo tratamento com antibióticos, adrenalina e antialérgicos. A família aguarda os resultados dos laudos hospitalares que poderão esclarecer se a infecção está relacionada ao uso do detergente Ypê.

A Anvisa, na semana anterior à internação da menina, decidiu suspender a fabricação e o recolhimento de diversos produtos da marca, incluindo detergentes, sabão líquido para roupas e desinfetantes, todos do lote com numeração final 1. Essa decisão foi motivada por uma inspeção realizada pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) na fábrica da Ypê, localizada em Amparo, São Paulo, onde foram identificadas falhas significativas nos processos de garantia e controle de qualidade.

A Anvisa já havia detectado a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa na fábrica em novembro de 2025, evidenciando um histórico de contaminação microbiológica. Após a inspeção, a Agência confirmou, na quarta-feira (13), que a bactéria estava presente em mais de 100 lotes de produtos da marca.

Conforme informações do Manual MSD, a Pseudomonas aeruginosa pode causar infecções que variam de leves a graves, com potencial risco de morte. As infecções podem afetar diferentes partes do corpo, incluindo ouvidos, pele, olhos, pulmões, trato urinário, ossos, articulações, corrente sanguínea e válvulas cardíacas.