Intenção de compra no mercado imobiliário permanece alta, mas vendas enfrentam desafios

Dados recentes indicam que a intenção de compra de imóveis se mantém elevada entre as famílias brasileiras, mas o comportamento do consumidor se tornou mais criterioso, impactando as vendas no setor.
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Os últimos dados do Monitor Trimestral da Datastore sinalizam um panorama otimista para o mercado imobiliário no Brasil. No segundo trimestre de 2026, 30,49% das famílias entrevistadas manifestaram interesse em adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, totalizando cerca de 12,8 milhões de famílias com renda acima de R$ 2,8 mil. Essa porcentagem representa um leve crescimento de 0,85 ponto percentual em comparação ao mesmo período de 2025.

Focando em um período mais curto, a intenção de compra se mostra robusta, com 43,8% dos potenciais compradores desejando realizar a aquisição em até 12 meses, o que corresponde a aproximadamente 5,6 milhões de famílias. Esses dados ajudam a desmistificar a ideia de que a falta de compradores é um problema no setor, revelando que a demanda permanece presente.

Entretanto, a mudança no comportamento do consumidor é um fator crucial. A decisão de compra se tornou mais complexa, com os consumidores adotando uma postura mais cautelosa. Em vez de simplesmente desaparecer, a demanda imobiliária está sendo influenciada por novos critérios que os compradores utilizam para avaliar suas opções.

Marcus Araújo, fundador da Datastore, destaca que a atual situação do mercado não é de escassez de demanda, mas sim de um consumidor mais exigente. As incorporadoras que ainda aguardam um cenário econômico mais favorável para lançar novos produtos precisam entender que a intenção de compra continua a crescer. Araújo observa que a oportunidade de venda está presente, desde que as empresas compreendam, por meio de dados, o perfil e o tamanho da demanda.

Os números também revelam que o mercado imobiliário não é homogêneo. No horizonte de 24 meses, a intenção de compra atinge 28% entre os consumidores do Perfil Econômico e 31% no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Isso indica que os consumidores não estão apenas adquirindo imóveis por impulso, mas sim comparando, pesquisando e avaliando suas opções de financiamento e capacidade de pagamento.

A análise cuidadosa do consumidor é essencial. O comprador busca saber qual produto atende suas necessidades, o valor que está disposto a pagar e as características que o levarão a escolher um empreendimento em detrimento de outro. Além disso, muitos consideram o custo de oportunidade do capital antes de efetivar uma compra.