Incêndios florestais de grandes dimensões têm devastado a vegetação em diversas regiões da França e da Espanha, levando à evacuação de cerca de 325 mil pessoas. As chamas se aproximam perigosamente de Bordeaux, na França, a apenas 15 km da cidade, o que gerou o fechamento de uma rodovia vital e a interrupção parcial do serviço ferroviário.
O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, destacou que, embora não haja planos imediatos para evacuar os 270 mil habitantes da cidade, as autoridades estão preparadas para qualquer eventualidade. Neste domingo, o céu da região foi tomado por uma densa fumaça alaranjada, e o aroma de queimado invadiu as ruas, evidenciando a gravidade da situação.
Em Le Porge, local entre Bordeaux e a famosa área turística de Cap Ferret, imagens aéreas retrataram a devastação causada pelas chamas, com residências e veículos completamente queimados. "Não sobrou nada. Tudo queimou", lamentou Mathieu Plessis, que perdeu sua casa e voltou ao vilarejo em busca de algo que restasse.
As florestas estão queimando com uma facilidade alarmante, uma consequência da vegetação e do solo extremamente secos devido a meses sem chuvas, situação que foi agravada por ondas de calor excepcionais nos meses de junho e julho. Um estudo do grupo World Weather Attribution indicou que a mudança climática, impulsionada pela queima de combustíveis fósseis, está intensificando a seca.
Até o momento, mais de 50 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas nas proximidades de Bordeaux, elevando o total de evacuados para mais de 220 mil. As chamas já consumiram 42 mil hectares de área florestal. A advogada Aurore Vigreux, de 38 anos, se refugiou na casa de um ex-marido com a filha e vários animais de estimação, expressando sua preocupação com a continuidade do avanço do fogo.
Na Espanha, a situação é igualmente crítica, com incêndios em Madri e nas províncias vizinhas de Toledo e Ávila forçando a evacuação de aproximadamente 60 mil pessoas. Olga Congacha, moradora de Robledo de Chavela, compartilhou sua experiência angustiante ao ser evacuada na última sexta-feira. "Fiquei muito nervosa, em pânico, sem saber se chorava", relatou ao retornar brevemente à sua casa coberta de cinzas.