Identificação de superbactéria em alimentos no Brasil gera preocupação sanitária

A detecção de uma superbactéria classificada como crítica pela OMS em ostras no Brasil levanta questões sobre a resistência antimicrobiana e a segurança alimentar. O estudo revela que 35% das amostras estavam contaminadas com arsênio acima do limite permitido.
Foto: Superbactéria considerada crítica pela OMS é encontrada em alimentos do Br
Foto: Superbactéria considerada crítica pela OMS é encontrada em alimentos do Br

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou uma bactéria como de prioridade crítica devido à resistência a antibióticos, que foi identificada pela primeira vez em alimentos no Brasil. A descoberta ocorreu em ostras frescas comercializadas nos estados de São Paulo e Santa Catarina. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesca de São Paulo, revelou a presença da Citrobacter telavivensis, além de cepas resistentes de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli. As amostras analisadas estavam em conformidade com os protocolos sanitários vigentes no país.

A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças à saúde global, conforme apontado em um relatório da OMS divulgado em 2025. Este estudo indicou que uma em cada seis infecções bacterianas registradas entre 2018 e 2023 apresentava resistência a antibióticos, um aumento superior a 40% neste período. Essa situação é alarmante e demanda atenção redobrada por parte das autoridades de saúde.

Os pesquisadores destacam que as ostras atuam como indicadores da qualidade ambiental, uma vez que são animais filtradores e acumulam substâncias e microrganismos presentes na água. Além da detecção das superbactérias, o estudo também revelou que 35% das amostras de ostras continham níveis de arsênio acima do limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que agrava ainda mais a situação.

Um aspecto preocupante levantado pelos cientistas é que os protocolos de inspeção alimentar atualmente em vigor se concentram na verificação da presença de patógenos e condições sanitárias, sem avaliar o perfil de resistência antimicrobiana das bactérias encontradas nos alimentos. Essa lacuna permite que microrganismos resistentes passem despercebidos pelos sistemas de controle sanitário.

Outro fator que merece atenção é a formação de biofilmes em equipamentos e instalações dedicadas ao processamento de alimentos. Essas estruturas aumentam significativamente a resistência das bactérias aos antibióticos e aos produtos utilizados na higienização industrial, o que representa um desafio adicional para a segurança alimentar no país.