Investigação da Polícia Civil aponta cinco supostas vítimas
Um guarda municipal de Curitiba foi preso preventivamente no sábado, em um endereço que ele não tinha fornecido, após denúncias de outros estudantes por assédio e importunação sexual contra adolescentes. O homem foi localizado pela PC-PR (Polícia Civil do Paraná) na casa da irmã e encaminhado à Cadeia Pública de Curitiba, onde permanece à disposição da Justiça.
A investigação, conduzida pelo Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes), reúne relatos de cinco supostas vítimas. Os casos teriam ocorrido na região do Alto da Glória, nas proximidades de uma escola.
Segundo o delegado Rodrigo Rederde, responsável pelo caso, a apuração avançou depois que novos adolescentes procuraram a polícia e relataram abordagens atribuídas ao guarda. Inicialmente, dois jovens haviam relatado os episódios. Depois, um terceiro adolescente apresentou uma nova denúncia, o que levou à realização de buscas em três endereços.
“”Ao todo, são cinco supostas vítimas. Os dois adolescentes lá no início, apareceu um terceiro adolescente que afirmou ter sido importunado sexualmente por esse indivíduo, e nós deflagramos essa operação, cumprimos busca e apreensão em três endereços, ele estava em um quarto endereço”, explicou o delegado.
Entre os relatos está o de um adolescente de 13 anos, que afirmou ter sido ameaçado com uma faca e vítima de importunação sexual. De acordo com a polícia, esse episódio teria acontecido cerca de uma semana antes da ocorrência que terminou com dois adolescentes e o padrasto de um deles envolvidos em uma confusão com o guarda.
Outro adolescente, de 15 anos, relatou ter sido abordado quando seguia para a escola. Conforme o depoimento, o suspeito passou de patinete, perguntou se o jovem estudava naquela região e quis saber sua idade. Em seguida, teria feito uma proposta de cunho sexual envolvendo R$ 200 e o ameaçado com uma faca. O adolescente afirmou ter fugido.
Ainda conforme os relatos reunidos durante a investigação, outros estudantes teriam contado situações semelhantes. A polícia apura se o suspeito costumava circular de patinete pelas proximidades da escola e abordar adolescentes oferecendo dinheiro em troca de favores sexuais.
A investigação também incorporou uma ocorrência registrada na última quarta-feira, dia 24 de agosto. Durante uma confusão envolvendo o guarda, que estava de folga, dois adolescentes e o padrasto de um deles, o suspeito teria sacado uma arma e efetuado um disparo. O tiro atingiu o homem, que precisou passar por cirurgia e permanecia internado na UTI após o episódio.
Imagens registradas por moradores mostram parte da discussão entre o guarda e os adolescentes e foi anexado ao processo.
A polícia também recebeu o relato de que as abordagens teriam ocorrido durante algum tempo e posteriormente evoluído para ameaças com armas de fogo e faca.
Buscas apreendem equipamentos eletrônicos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam o patinete utilizado pelo investigado, além de celular, pen drives, notebook e outros equipamentos eletrônicos. O material será analisado para verificar a existência de possíveis provas relacionadas às denúncias.
De acordo com o delegado Rodrigo Rederde, ainda falta ouvir duas das supostas vítimas antes da conclusão da investigação e do encaminhamento do caso ao Judiciário.
Rederde também explicou que o guarda não havia sido preso na ocorrência inicial. Na ocasião, ele foi levado à Central de Flagrantes e liberado depois de prestar depoimento a outro delegado, que não integrava a equipe responsável pela investigação. Após ter acesso a novos elementos, o NUCRIA solicitou a prisão preventiva.
“Ele vai ser responsabilizado por tudo o que ele cometeu”, afirmou Rederde.
Em depoimento à Polícia Civil após o episódio que terminou com o padrasto de um adolescente baleado, o guarda negou ter abordado jovens para oferecer dinheiro ou procurar favores sexuais.
Segundo a versão apresentada pelo investigado, ele costumava andar de patinete nas proximidades de casa para descarregar a bateria antes de colocá-la para recarregar. Naquele dia, teria visto os adolescentes juntos e considerado a situação incomum por causa do horário.
O guarda afirmou que parou o patinete e mexia no celular quando o padrasto se aproximou, o empurrou e disse que os adolescentes eram filhos dele.
A Prefeitura de Curitiba informou que o agente foi suspenso preventivamente. A arma pertencente à corporação que estava sob responsabilidade dele foi apreendida, enquanto a Corregedoria da Guarda Municipal acompanha o caso.
O homem permanece preso preventivamente e é investigado pelos crimes de importunação sexual e tentativa de homicídio.
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Fonte:Paraná Jornal