O Ministério da Justiça, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que a lista de delegados da Polícia Federal (PF) cedidos a tribunais seja mantida em sigilo. A decisão foi divulgada em meio a investigações em andamento relacionadas a fraudes no INSS, que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e ao caso do Banco Master, que também abrange o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A adoção do sigilo gerou discussões nos bastidores da PF e do Judiciário, onde a medida é vista como uma possível retaliação ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os delegados cedidos está Thiago Marcantonio Ferreira, que atualmente atua no gabinete do ministro.
Antes de estabelecer o sigilo, o Ministério da Justiça negou, em três ocasiões, pedidos do Estadão que buscavam informações sobre a lista através da Lei de Acesso à Informação. A negativa mais recente foi assinada pelo ministro Wellington César Lima e Silva no dia 10 de outubro. A situação está sob análise da Controladoria-Geral da União (CGU).
De acordo com a pasta, o retorno dos delegados ainda está em fase preparatória e envolve a avaliação de pedidos de reconsideração feitos pelos tribunais. O governo alega que a divulgação da lista poderia prejudicar a capacidade investigativa da PF e representar riscos à segurança do Estado e da sociedade.
O pedido de devolução dos delegados foi enviado a vários tribunais com a justificativa de atender a uma diretriz presidencial que visa “fortalecer a segurança pública”. Em abril, Lula havia determinado que os delegados cedidos a outros órgãos retornassem à PF, afirmando que sua atuação deveria ser direcionada ao combate ao crime organizado.