Nesta terça-feira (9), o ministro dos Transportes, George Santoro, revelou que o governo federal irá subsidiar parte dos custos para a recuperação de ferrovias inativas no Brasil, que serão assumidas por novas concessionárias. A proposta busca tornar o investimento no setor ferroviário mais atraente e viável para a iniciativa privada.
O governo planeja realizar até oito leilões de concessão no segundo semestre de 2023, abrangendo estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Ceará e Pernambuco. O objetivo é aumentar a participação do modal ferroviário na matriz logística do Brasil, que atualmente é de 17,7%, com uma meta de alcançar 34,6% até 2035, de acordo com o Plano Nacional de Logística (PNL 2035).
Santoro explicou que a nova estratégia foi desenvolvida em colaboração com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que mapeou aproximadamente 25 mil quilômetros de ferrovias sem uso no país. A proposta visa identificar trechos ferroviários abandonados ou em péssimas condições, oferecendo incentivos para que empresas privadas se responsabilizem por sua recuperação e operação.
"O governo coloca dinheiro no projeto para recuperar o ativo ferroviário, ou seja, irá investir para quem vencer o leilão e restaurar o trecho do ativo", afirmou George Santoro durante sua participação no programa "Bom Dia, Ministro", da EBC. Ele enfatizou que a intenção é estimular o interesse da iniciativa privada por trechos que atualmente estão sem uso, além de permitir a exploração de outros projetos em áreas menores do país.
Na mesma entrevista, o ministro anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá lançar uma linha de crédito específica para financiar projetos ferroviários. A expectativa é que essa nova linha atraia investimentos de países europeus e asiáticos, que possam trazer suas experiências para o setor ferroviário brasileiro.
"O BNDES vai anunciar uma linha de financiamento específica para ferrovias. Estamos trabalhando em uma opção com prazos longos para pagamento, o que deverá atrair novos investidores, incluindo europeus e chineses, dispostos a entrar em projetos ferroviários no Brasil", complementou Santoro.