Durante uma entrevista concedida a Renata Lo Prete, Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, abordou o Inquérito das Fake News, que já se arrasta por sete anos. Ao ser questionado sobre a possível transformação do inquérito em um instrumento de poder pessoal, Mendes afirmou que este continua sendo necessário e que seu encerramento ocorrerá apenas quando for o momento adequado. Essa declaração suscita reflexões sobre a natureza do poder e a defesa do princípio acusatório.
Nas horas seguintes, Mendes participou de outras entrevistas, incluindo uma ao programa JR Entrevista, da TV Record. Em resposta a questionamentos sobre a ação que moveu contra o governador Romeu Zema, o ministro justificou sua posição alegando que a sátira tem limites e que a honra de figuras públicas deve ser resguardada. Ele exemplificou sua afirmação com a hipótese de que a criação de bonecos animados do governador representando-o como homossexual seria ofensiva.
A insinuação feita por Mendes, ao usar a homossexualidade como um parâmetro de ofensa, revela uma contradição em seu raciocínio. O ministro, que processa um político por sátira, acaba por expor sua própria concepção de desonra, ao mesmo tempo em que defende a proteção de figuras públicas. Além disso, Mendes também fez comentários jocosos sobre o sotaque de Zema, referindo-se a ele como um "dialeto próximo do português", o que demonstra um desprezo pela diversidade linguística.
A postura de Mendes, que parece misturar seu interesse pessoal com a função institucional, levanta questões sobre a integridade do Judiciário. Ele expressa que o tribunal tem sido vilipendiado e que, portanto, os críticos devem ser processados. Essa lógica de autodefesa sugere uma preocupante confusão entre os interesses das instituições e os interesses individuais.
A cada declaração, o ministro demonstra uma clara prioridade em resguardar sua posição e a do tribunal, apresentando uma visão de que a justiça deve ser utilizada para proteger a honra de quem ocupa cargos públicos. Essa abordagem, que reflete uma visão distorcida do papel da justiça, é preocupante para a sociedade, que observa a erosão da liberdade de expressão e a possibilidade de censura sob a justificativa de defesa institucional.
Assim, a continuidade do Inquérito das Fake News, , não é apenas uma questão judicial, mas uma questão de proteção de sua própria imagem e da imagem do Judiciário, o que levanta questionamentos sobre a real função da justiça em um estado democrático.