Familiares de detentos do Sistema Penitenciário de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, procuraram o Portal aRede para relatar situações de descaso e humilhações que acontecem com as pessoas que estão presas nas unidades. Entre os relatos estão situações de violência, ameaças, humilhações, desrespeito com os visitantes e falta de comida e água em quantidades necessárias.
De acordo com relatos dos familiares, o contrato com a empresa responsável pela alimentação prevê quatro refeições diárias, porém, em muitas ocasiões, estariam sendo fornecidas apenas duas refeições. Além de alimentos frequentemente azedos, de má qualidade ou insuficientes. Há relatos de refeições compostas apenas por arroz e feijão ou arroz com batatas mal-cozidas.
“Em dia de visita nós tentamos mandar sacolas com comidas e bebidas para nossos familiares que estão lá dentro. Porém, os agentes nunca deixam as sacolas entrarem inteiras. Eles sempre tiram algumas coisas e não nos entregam de volta. Isso acontece tanto com comida, quanto com remédio. Um dia meu filho estava com dor de dente, eu enviei remédio para ele e simplesmente não foi entregue”, relata a familiar de um detento.
Além da alimentação, há relatos de interrupção do fornecimento de água, deixando detentos por até três dias sem água para higiene e, em alguns casos, até para consumo. Também há denúncias de falta de atendimento de saúde e de punições coletivas quando presos tentam pedir socorro para colegas que passam mal. Em um dos relatos, um detento teria sido atingido por disparo de bala de borracha após um pedido de ajuda.
“Água, energia elétrica, banho frio, consultas médicas online, pessoas com problemas neurológicos consultando com dermatologista, coffe break com dinheiro público, entrada de medicamentos que se perdem dentro da unidade, não aceitação de medicamentos genéricos, ausência de comunicação aos familiares no caso de falecimento, alimentação ruim , triagem excessiva (vai de uma unidade para outra passando por nova triagem) dificultando entrada de sacola e roupas mesmo quando é época de levar roupa de inverno”, destacam familiares de detentos.
Além da falta de comida, água e remédios, os familiares relatam que os detentos constantemente enfrentam situações difíceis dentro das unidades. “É bem complicado essa situação dos nossos familiares eles são calado lá dentro porque já são avisado se vocês falar depois o bicho vai pegar para o lado de vocês e eles acabam dizendo que tá tudo bem, mas eles estão vivendo o inferno lá já é um inferno, mesmo é a única forma é tentar mesmo pedir ajuda para quem tá aqui fora e tem que falar isso que eles são calados eles não podem falar quando alguém que que vão lá defender que eles estão passando por vários maus tratos eles são calados eles não vão falar é só Deus”, relata um familiar.
As famílias também relatam tratamento desrespeitoso durante as visitas. De acordo com os relatos, idosos permanecem horas em filas sob sol, frio ou chuva. Muitas mães viajam longas distâncias e fazem enormes sacrifícios financeiros para levar alimentos e itens básicos aos filhos presos. Há denúncias de que alimentos levados pelas famílias são manuseados sem cuidado e de que pertences autorizados, como televisores, são retirados durante as punições e não devolvidos.
NOTA DO DEPPEN
Em nota, a Polícia Penal do Paraná rebate as denúncias.
Confira a nota na íntegra.
A Polícia Penal do Paraná (PPPR) esclarece que a alimentação nas unidades é fornecida por empresa terceirizada, que garante três refeições diárias sob rigoroso controle nutricional, e o fornecimento de água potável ocorre de forma contínua nas galerias. Complementarmente, é autorizada a entrada de itens alimentícios levados por familiares, conforme normas internas. A assistência à saúde é prestada de forma primária pelas equipes de saúde das próprias unidades penais. Nos casos em que há necessidade de atendimento especializado ou de maior complexidade, os internos são encaminhados à rede do Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento aos visitantes é conduzido com base na legalidade e na dignidade humana com procedimentos padronizados para garantir a segurança de todos. A instituição ressalta que mantém canais oficiais de Ouvidoria abertos para receber e apurar de forma transparente qualquer manifestação ou denúncia.
Fonte:A Rede PG