A gente muda o calendário, troca o número lá em cima e, sem perceber, deposita uma esperança enorme em algo que, no fundo, é só uma convenção humana: o tempo dividido em partes. É curioso como a expectativa de um ano melhor carrega uma mistura de fé e cansaço.
A expectativa nasce quase como um mecanismo de defesa, quando tudo pesa demais, o futuro vira refúgio. A gente diz “ano que vem melhora”, como quem respira fundo depois de um soco no estômago.
O problema não é esperar por um ano melhor, o problema é onde colocamos essa expectativa. Muitas vezes, jogamos toda a responsabilidade no tempo, como se ele fosse um personagem mágico que chega com um pacote de soluções.
A filosofia começa aí, não em frases bonitas, mas no desconforto de pensar a própria vida sem maquiagem. Um ano melhor, na maioria das vezes, não é um ano perfeito, é um ano um pouco mais honesto.