Paulo Henrique Costa, que foi presidente do BRB, está em processo de solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua transferência do Complexo Penitenciário da Papuda para a sede da Polícia Federal em Brasília. Essa movimentação é parte de sua intenção de colaborar com as investigações relacionadas ao esquema do Banco Master, conforme apurado.
Recentemente, Costa fez uma mudança significativa em sua defesa, trocando o advogado Cléber Lopes por Eugênio Aragão e Davi Tangerino, ambos advogados especializados em delações premiadas. A nova equipe se reunirá com o ex-presidente do BRB nesta quinta-feira, 23, para discutir os detalhes da proposta de colaboração que será apresentada.
A estratégia de Costa reflete a situação de Daniel Vorcaro, ex-chefe do Banco Master, que também obteve autorização para ser transferido à Polícia Federal após manifestar interesse em delatar. Vorcaro escolheu José Luiz Oliveira Lima como seu advogado, conhecido por sua atuação em delações, assim como a nova equipe de Costa.
Os advogados de Costa argumentam que as condições na Papuda dificultam a negociação de um acordo de delação e solicitam tratamento similar ao de Vorcaro. Adicionalmente, a situação é complicada pela responsabilidade do governo do Distrito Federal sobre a penitenciária, sendo que o ex-governador Ibaneis Rocha, do MDB, é considerado uma figura central nas investigações.
A mudança na defesa também está ligada à conexão de Cléber Lopes com Ibaneis Rocha, que deixou o cargo em março para concorrer a uma vaga no Senado Federal. A nova vice-governadora, Celina Leão, do PP, assumiu o posto e busca dissociar-se do escândalo, mas a proximidade institucional pode influenciar a estratégia de Costa para deixar a Papuda.
Fontes próximas ao caso indicam que Costa tem urgência em formalizar sua delação, pois seu papel pode ser comprometido caso Vorcaro consiga um acordo antes dele. Essa situação pode diminuir a importância das informações que Costa pretende levar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR).