O Ministério Público do Paraná (MPPR) apresentou uma denúncia contra um ex-policial militar, acusado de envolvimento em crimes de associação para o tráfico de drogas e corrupção passiva. A investigação revela que o ex-PM teria utilizado informações obtidas em seu trabalho para beneficiar um traficante que atuava no Litoral do Paraná, recebendo vantagens financeiras em troca.
Os acontecimentos investigados ocorreram entre abril e agosto de 2022, nos municípios de Guaratuba e Paranaguá, período em que o denunciado era responsável pela Ronda Ostensiva Tático Móvel (ROTAM) de Guaratuba. O traficante em questão é apontado como uma figura de destaque na região, já tendo enfrentado investigações anteriores por crimes como furto e lavagem de dinheiro, além de ter um mandado de prisão preventiva expedido no final de 2022.
O promotor de Justiça Edson Ricardo Scolari Filho detalha que o ex-PM estabeleceu uma relação de associação com o traficante, oferecendo a ele informações privilegiadas para garantir o sucesso de suas operações criminosas. Essa parceria teria se iniciado quando o ex-policial contatou o traficante, apresentando-se como um agente corrupto que atuava no setor operacional do Ministério Público.
A proposta inicial do traficante consistia em um pagamento mensal de R$ 50 mil ao ex-PM, com o intuito de que ele fornecesse informações que pudessem favorecer suas atividades ilícitas e ajudá-lo a permanecer em liberdade. Essa troca de informações incluía dados sobre operações policiais, mandados de prisão e abordagens relacionadas ao tráfico.
Além das acusações de associação ao tráfico, o ex-policial também é denunciado por corrupção passiva, uma vez que, em 24 de agosto de 2022, teria aceitado a promessa de uma motocicleta Yamaha MT-09, avaliada em aproximadamente R$ 57 mil. Essa vantagem estava diretamente ligada ao fornecimento das informações obtidas em razão de seu cargo.
O promotor enfatiza que a conduta do ex-policial representa uma grave deturpação de sua função e que a denúncia já foi recebida pela Justiça, ressaltando que o traficante envolvido já se encontra preso. A denúncia foi elaborada pelo Núcleo Regional de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). É importante destacar que, por se tratar de uma acusação, os fatos atribuídos ao ex-PM ainda estão sujeitos ao devido processo legal e à decisão judicial.