Antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central e da prisão de Daniel Vorcaro, seu proprietário, foi implementada uma estratégia de aquisição de veículos de comunicação que envolveu investimentos significativos. Thiago Miranda, um publicitário que coordenou campanhas de influenciadores para questionar a atuação do Banco Central, trouxe à tona detalhes sobre as negociações e os bastidores dessas aquisições.
Em sua declaração, Miranda apresentou um contrato que evidenciava a venda de 17% do Portal Léo Dias por R$ 10 milhões, realizada em 19 de julho de 2024, para Flávio Carneiro, identificado como representante de Vorcaro. O documento também sugere a participação de Léo Dias na transação, o que marca o início da relação comercial entre Miranda e o banqueiro.
O primeiro contato entre Miranda e Vorcaro ocorreu em uma cobertura no Itaim Bibi, em São Paulo, onde também estava presente Léo Dias. Na ocasião, Vorcaro expressou sua intenção de formar um conglomerado de mídia, já possuindo participação na revista IstoÉ e no Brazil Journal. De acordo com Miranda, Flávio Carneiro atuava em nome de Vorcaro em todas as operações, utilizando a empresa Foone Empreendimentos, que também adquiriu parte do portal PlatôBR.
Na noite de 17 de julho, após a reunião em que foram definidos os termos do acordo, Miranda enviou uma mensagem a Vorcaro manifestando otimismo. Em resposta, Vorcaro declarou que estavam prestes a realizar algo significativo, sinalizando sua disposição para o empreendimento.
Flávio Carneiro confirmou sua condição de sócio dos portais mencionados, mas negou qualquer vínculo societário entre Vorcaro e a Foone. Ele apenas reconheceu que o Banco Master investiu no Portal Léo Dias como anunciante, sem envolvimento societário direto.
A Foone é composta por Carneiro e um fundo de investimentos gerido pela Reag, conhecido como Duke. Carneiro também é citado em delações relacionadas à Operação Lava-Jato, onde foi mencionado como intermediário de pagamentos a Aécio Neves.