Os enviados dos Estados Unidos, Steve Witkoff e Jared Kushner, realizaram neste domingo (6) a primeira visita a Kiev, onde se encontraram com o presidente ucraniano Volodimir Zelensky. O encontro ocorreu após conversas que os representantes americanos mantiveram com o presidente russo Vladimir Putin, Em Moscou, durante o fim de semana.
Na ocasião das negociações, Putin anunciou uma suspensão dos bombardeios contra Kiev por um período de três dias, de sábado a segunda-feira, e garantiu a segurança dos enviados americanos. Em contrapartida, a Ucrânia também decidiu interromper os ataques contra Moscou durante esse intervalo.
Witkoff, que é um empresário próximo do ex-presidente Donald Trump, e Kushner, genro do republicano, foram recebidos por Zelensky, que mencionou que assessores europeus de segurança também estariam envolvidos nas conversações. Antes da reunião, o presidente ucraniano enfatizou a postura construtiva de seu país, afirmando: "Queremos acelerar o fim da guerra. A paz é necessária. São necessárias garantias de segurança."
Zelensky afirmou que suas propostas para um possível acordo de paz estão prontas e ressaltou a importância de uma abordagem coordenada e realista para resolver o conflito. Desde que começaram a atuar como mediadores na guerra iniciada pela invasão russa em 2022, Witkoff e Kushner já visitaram Moscou em oito ocasiões, mas esta é sua primeira viagem à capital ucraniana, onde chegaram de trem, conforme observou um jornalista da AFP em uma estação ferroviária.
Durante a campanha presidencial, Trump prometeu que, caso retornasse à Casa Branca em janeiro de 2025, encerraria a guerra na Ucrânia em um prazo de 24 horas. Desde então, as tentativas de negociação promovidas por Washington não resultaram em avanços significativos para solucionar o conflito, que se tornou o mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Iaroslav, um residente de 29 anos de Kiev, expressou ceticismo em relação à visita dos enviados dos EUA, classificando-a como mais uma das várias iniciativas diplomáticas já tentadas sem sucesso. Enquanto isso, Em Moscou, Witkoff e Kushner discutiram planos para o futuro do conflito, incluindo a possibilidade de uma eventual cessão de territórios pela Ucrânia, uma ideia que já havia sido sugerida anteriormente. Apesar de não fornecer detalhes, Putin assegurou que a Rússia garantiria a segurança dos enviados durante sua estadia em Kiev, uma cidade que tem sido alvo de ataques russos nas últimas semanas.