Deolane também constituiu empresas que, segundo a investigação, possuem características de serem de fachada –
As empresas da influenciadora Deolane Bezerra movimentaram mais de R$ 140 milhões em créditos e débitos entre julho de 2022 e maio de 2024, de acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). As informações constam na denúncia apresentada pelo MPSP nesta quarta-feira (10) contra Deolane por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além de Deolane, o filho adotivo Giliard Vidal dos Santos e as empresas Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., Deolane Bezerra Comércio e Serviços Ltda. e a empresa Bezerra Produções Artísticas Ltda., e outras pessoas físicas e jurídicas usadas no processo de lavagem de dinheiro. Só a influenciadora seria responsável por mais de R$ 40 milhões, sendo que metade disso não pôde ser identificada.
Deolane também constituiu empresas que, segundo a investigação, possuem características de serem de fachada, por serem sediadas em imóveis sem estrutura operacional condizente e sem movimentação bancária declarada. Ela atuava como operadora de lavagem de capitais de alta capacidade, transformando recursos espúrios da facção em ativos com aparência de legalidade através de seu conglomerado empresarial e círculo familiar, segundo a Promotoria. As informações são do Metrópoles.
Os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram operações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos envolvidos, além de fracionamento de valores, fragmentação e pulverização de depósitos, utilização recorrente de transferências instantâneas por meio do Pix.
Segundo a Promotoria, houve uma evolução atípica no fluxo financeiro e das empresas dela, sem lastro contábil ou operacional, e a imagem da influenciadora nas redes sociais ajudou a justificar a origem dos recursos que eram movimentados em nome de Deolane. Na documentação bancária não há comprovantes de pagamento de advocacia ou contratos formais de publicidade e influência digital.
O MPSP pediu a manutenção da prisão preventiva de todos os denunciados, argumentando a necessidade de garantir a ordem pública e interromper as atividades da organização, que possui planos de expansão internacional. Além disso, foi solicitado o sequestro de bens e a perda do patrimônio incompatível com a renda lícita dos envolvidos
O MPSP também denunciou por organização criminosa e lavagem de dinheiro Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção criminosa; seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; e Everton de Souza, conhecido como Player ou Temer, considerado operador financeiro do PCC.
Proximidade com família de Marcola
Assim como o relatório final da investigação policial, a denúncia do MPSP anexou as fotos publicadas nas redes sociais que evidenciariam a relação pessoal da influenciadora com membros da família Camacho, especialmente com a cunhada e o irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
O documento reúne diferentes registros de Deolane ao lado de Francisca Alves da Silva, companheira de Alejandro Juvenal Herbas Camacho, “circunstância que afasta a hipótese de contato meramente eventual ou fortuito e revela convivência reiterada em ambientes privados e sociais”, escreveram os investigadores.
A empresária também apareceu em fotos com Bárbara Alves Mota e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Neto, enteada e filho de Alejandro Camacho, respectivamente. De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, as publicações reforçariam uma proximidade não apenas com uma pessoa isolada, mas também com diferentes integrantes do mesmo núcleo familiar.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.a
Fonte:A Rede PG