O empresário Marcelo Conde manifestou sua defesa em relação às acusações de envolvimento em um esquema de acesso irregular a dados fiscais de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em declaração feita na segunda-feira, 20, Conde negou qualquer participação em atividades voltadas para a obtenção de informações sigilosas e questionou a operação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes.
Conde descreveu a operação como uma "ação judicial truculenta, digna de regime de exceção", e afirmou que ele e sua família foram surpreendidos por uma operação de busca e apreensão, além de uma exposição intensa na mídia, supostamente orquestrada por Moraes. "É necessário refutar com veemência a imputação: as acusações descabidas veiculadas na imprensa, a partir dessa operação, não correspondem à realidade", disse ele.
Recentemente, a Polícia Federal (PF) executou seis mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro, no contexto da Operação Exfil. Todos os locais alvo das investigações estão associados a Marcelo Conde, que é filho do ex-prefeito Luiz Paulo Conde. Ministros do STF alegam que o empresário teria pago R$ 4,5 mil em espécie para obter de forma ilícita declarações fiscais, além de fornecer uma lista de CPFs.
Washington Travassos de Azevedo, contador mencionado no caso, afirmou que Conde solicitou informações sobre familiares do ministro Alexandre de Moraes, incluindo a advogada Viviane Barci, esposa do magistrado. A Procuradoria Geral da República (PGR) identificou acessos irregularidades a dados de 1.819 contribuintes, o que inclui informações de Moraes.
Em sua defesa, Conde destacou os prejuízos causados à sua reputação e à de sua família, ressaltando que foram apreendidos celulares e dispositivos eletrônicos pertencentes a seus familiares, apesar de os mandados judiciais terem sido direcionados apenas a ele. Ele expressou sua intenção de se defender em um ambiente que respeite o direito à informação, à ampla defesa e ao devido processo legal.
"Se me forem conferidos tais mínimos direitos individuais, será possível contribuir com a verdade", concluiu Marcelo Conde, reafirmando sua posição contra as acusações que considera infundadas.