El Niño traz chuvas intensas ao Sul e seca ao Nordeste a partir de julho

O fenômeno El Niño, já em atuação, deve impactar o clima no Brasil até 2027, trazendo chuvas acima da média no Sul e seca no Nordeste. Meteorologistas alertam para riscos de temporais e altas temperaturas em várias regiões.

O fenômeno El Niño está em pleno desenvolvimento e suas consequências já começam a ser sentidas no Brasil, com previsão de impactos significativos nos próximos meses. De acordo com o Painel El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como INPE, INMET, ANA, Cemaden e Defesa Civil Nacional, há uma probabilidade superior a 90% de que o fenômeno continue ativo até o início de 2027.

Os modelos climáticos indicam que o fenômeno pode atingir uma intensidade muito forte entre a primavera e o verão, com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial podendo superar 2°C acima da média histórica. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reconheceu oficialmente as condições de El Niño em 11 de junho de 2026, evidenciando o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial e mudanças nos padrões atmosféricos.

Para o período entre julho e setembro, as previsões apontam para alterações significativas nas chuvas e temperaturas em várias regiões do Brasil. A Região Sul é a mais afetada, com expectativa de volumes de chuva superiores à média histórica, especialmente no Paraná, em Santa Catarina e na metade norte do Rio Grande do Sul. Meteorologistas alertam sobre a possibilidade de chuvas intensas, temporais com raios, ventos fortes e granizo, o que pode resultar em alagamentos e inundações em algumas áreas.

Apesar do aumento geral das temperaturas, a Região Sul poderá registrar ondas de frio durante o inverno, com chance de geadas e até episódios isolados de neve em regiões de maior altitude. Em contrapartida, no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, as previsões indicam um cenário de calor e seca, com precipitações abaixo da média.

Essas condições climáticas mais secas, somadas a temperaturas elevadas, devem resultar em perda de umidade do solo, aumentando o risco de queimadas e incêndios florestais, especialmente no segundo semestre. Os impactos do calor excessivo e da falta de chuvas podem afetar pastagens, recursos hídricos e atividades agropecuárias, principalmente nos estados do Norte e do Nordeste.

Na Região Sudeste, a expectativa é de chuvas próximas ou levemente acima da média em algumas áreas. Em São Paulo, são previstos períodos mais frios, com temperaturas que podem ficar abaixo da média em parte do estado. Em Minas Gerais, a previsão é de um trimestre mais quente que o habitual, enquanto No Rio de Janeiro as temperaturas devem permanecer próximas à média histórica.