A proposta de ampliação do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, uma das bandeiras de campanha de Donald Trump, ganhou novo impulso com a aprovação de US$ 46,55 bilhões pelo Congresso. Este montante, destinado especificamente à infraestrutura e ao sistema de barreiras, é quase três vezes superior aos recursos federais alocados entre 2017 e 2020.
Os recursos fazem parte de um amplo pacote fiscal aprovado em 2025 e poderão ser utilizados não apenas para a construção de novos muros, mas também para melhorias em barreiras primárias e secundárias, além de estradas de acesso e sistemas de vigilância, como câmeras e sensores. Essa abordagem visa criar um sistema de segurança mais robusto do que uma simples divisão física entre os dois países.
Atualmente, a administração Trump já está avançando com as obras. Dados levantados mostram que contratos foram concedidos ou trabalhos iniciados em mais de 600 milhas, o que equivale a cerca de 966 quilômetros de novos muros, integrados a tecnologias de vigilância. Além disso, há planos para a construção de barreiras duplas em outras 370 milhas, aproximadamente 595 quilômetros.
A meta estabelecida pelo governo é que, ao final do projeto, ao menos 1.400 milhas (cerca de 2.250 quilômetros) da fronteira de 1.954 milhas entre os Estados Unidos e o México estejam cobertas por muros. Essa escala é consideravelmente maior em comparação ao primeiro mandato de Trump, quando foram instaladas aproximadamente 458 milhas de barreiras, conforme informações do Government Accountability Office (GAO).
Durante o período de 2017 a 2021, 81% dessas 458 milhas corresponderam a substituições de barreiras já existentes, e apenas 15% eram parte do sistema completo, que inclui painéis, iluminação e estradas de patrulhamento. Além disso, o GAO destaca que mais de 70% dos recursos destinados aos contratos do Corpo de Engenheiros do Exército entre 2018 e 2020 foram oriundos do Departamento de Defesa, o que gerou disputas significativas pelo financiamento.
Apesar da redução histórica nas travessias ilegais na fronteira, o governo defende que as barreiras são essenciais para coibir a entrada irregular de pessoas e drogas nos Estados Unidos. Contudo, a questão é controversa entre comunidades indígenas e grupos opositores, que levantam preocupações sobre os impactos ambientais, históricos e culturais que podem advir da conclusão do projeto.