Desembargadora do Pará critica cortes no Judiciário enquanto utiliza carro de luxo

A desembargadora Eva do Amaral, do TJPA, reclama de cortes em gratificações do Judiciário, mas recebe R$ 117,8 mil mensais e utiliza veículo de R$ 175 mil custeado pela Corte.
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A desembargadora Eva do Amaral, integrante do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), tem gerado polêmica ao utilizar uma sessão oficial para manifestar descontentamento com os cortes de gratificações no Judiciário. Durante a reunião da 3ª Turma de Direito Penal, a magistrada afirmou que juízes estão se aproximando de uma situação de 'escravidão' devido à falta de recursos. Eva do Amaral destacou que seus colegas enfrentam dificuldades para arcar com despesas médicas, afirmando que os cortes nos penduricalhos têm impactado o pagamento de contas essenciais e medicamentos.

O discurso da desembargadora, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, ocorreu em um momento em que ela também se beneficia de um carro híbrido avaliado em R$ 175 mil, além de contar com um motorista particular, ambos custeados pelo tribunal. Em março, a remuneração bruta da magistrada foi de R$ 117,8 mil, o que a posiciona entre os mais bem pagos do Brasil, superando 99% da população nacional e também 99% dos habitantes do Pará.

O veículo utilizado por Eva do Amaral é um modelo BYD King GS 2025/2026, que, segundo os termos do contrato de locação, possui características como bancos de couro e isolamento acústico. O TJPA justifica a manutenção deste tipo de frota alegando a necessidade de transporte dos desembargadores para sessões e audiências. Para isso, a Corte desembolsa mensalmente R$ 544 mil, um total que inclui 40 veículos e motoristas exclusivos.

O custo total do contrato de locação dos veículos é de R$ 32,6 milhões, com duração de cinco anos. A disparidade entre o salário da desembargadora e o de profissionais da saúde e educação no Pará também foi destacada por meio de uma calculadora interativa. A remuneração de R$ 117,8 mil equivale a 838% do salário de um médico que atua 40 horas por semana no estado, a 2.513% do que ganha um enfermeiro e a impressionantes 3.338% do salário de um professor da educação básica.

As declarações de Eva do Amaral levantam uma discussão sobre os gastos do Judiciário e as condições financeiras enfrentadas por magistrados e servidores, evidenciando a complexidade do cenário econômico atual e a percepção de privilégios dentro do sistema judiciário.