Delegado da PF é indiciado por injúria racial contra funcionários em Londrina

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Delegado foi indiciado por injúria racial em Londrina –

Um delegado da Polícia Federal foi indiciado por injúria racial contra três funcionários de uma locadora de veículos em Londrina, no Norte do Paraná. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu o inquérito sobre o caso, que ocorreu em julho, e as vítimas decidiram falar sobre as ofensas que, segundo elas, ainda não foram esquecidas.

Duas das vítimas, que preferiram não se identificar, relataram que o delegado ficou alterado após um problema durante a prestação de serviço e passou a direcionar insultos racistas aos funcionários. Segundo uma delas, mesmo após o ressarcimento relacionado ao ocorrido, o homem continuou com as ofensas. As informações são do Portal Banda B, parceiro do Portal aRede. 

“Ele já voltou nervoso, estressado. Acabou descontando na gente, já chegou acusando que era culpa nossa. Mesmo ele tendo sido ressarcido sobre o que tinha acontecido, ele optou pelas ofensas” contou. 

A vítima afirmou ainda que o delegado utilizou expressões racistas relacionadas à cor da pele dos funcionários e manteve uma postura agressiva durante a discussão.

“Chamou a gente de ‘preto babaca’, que não podíamos falar porque era ‘preto’, ‘mulato’, que era ‘serviço de preto’. Ele foi o tempo todo agressivo, a gente se sentiu ameaçado” relatou.

Vítimas de injúria racial em Londrina pedem justiça

Um segundo funcionário também contou que nunca havia passado por uma situação semelhante durante os anos em que trabalha com atendimento ao público. 

Segundo o trabalhador, o delegado teria usado a cor da pele e a atividade profissional dos funcionários para tentar desqualificá-los por meio de injúrias, em Londrina. As informações são da Ric RECORD.

“Dessa forma, nunca tinha acontecido comigo. Trabalho com o público há alguns anos. Não sei se vale a pena repetir as palavras que ele disse, mas o tempo todo ele me ofendia pela cor, pelo trabalho que a gente executa. Ele quis desmerecer o nosso serviço o tempo todo” afirmou.As três vítimas registraram a denúncia e foram ouvidas durante a investigação. Agora, com a conclusão do inquérito e o indiciamento do delegado, elas afirmam esperar que o caso tenha consequências.

“Eu espero que a justiça seja feita. Assim como ele fez comigo, como fez com o pessoal da loja, acredito que já tenha feito com outras pessoas por aí e possa fazer novamente”disse uma das vítimas.

A outra funcionária também reforçou o pedido. “Espero que agora algo seja feito, isso não pode ficar assim, é um crime”, declarou.

As vítimas ainda fizeram um apelo para que pessoas que passem por situações de injúria racial procurem as autoridades e não permaneçam em silêncio.

Relembre o caso

O episódio ocorreu em julho, em uma locadora de veículos instalada em um shopping na Avenida Ayrton Senna, em Londrina. Segundo informações da Polícia Militar, o delegado discutiu com funcionários ao devolver um carro e teria utilizado ofensas racistas contra três trabalhadores negros.

Depois, ele deixou o estabelecimento e caminhou até uma blitz da Companhia de Trânsito realizada em frente ao shopping. Durante a abordagem, segundo a PM, o homem questionou a fiscalização e se recusou a se identificar, afirmando que era delegado da Polícia Federal e que não precisaria apresentar os documentos.

Ele acabou preso por desacato e foi encaminhado à Central de Flagrantes. Após prestar depoimento, assinou um termo de compromisso e deixou a unidade.

Na saída da delegacia, entretanto, os funcionários da locadora estavam no local para registrar um boletim de ocorrência. Eles reconheceram o delegado como o homem que teria feito as ofensas e relataram o caso aos policiais. Com isso, ele recebeu uma segunda voz de prisão, desta vez pela suspeita de injúria racial.

A Polícia Federal do Paraná informou, na época, que havia aberto um procedimento preliminar para apurar a situação. O delegado respondeu às acusações em liberdade.

Procurada pela Ric RECORD, a defesa do delegado informou que não irá se manifestar sobre os relatos dos funcionários nem sobre o indiciamento. A Banda B deixa o espaço aberto para manifestação da defesa.

As vítimas afirmam que esperam uma resposta diante das injúrias do delegado em Londrina e reforçam a importância de denunciar os casos.



Fonte:A Rede PG